Violência volta à Faixa de Gaza

Em novos episódios de violência naFaixa de Gaza, um pistoleiro palestino assassinou um guardaisraelense de fronteira e foi morto em seguida neste sábado, segundo dia consecutivo de problemas num território que esteverelativamente calmo nas últimas semanas. Ontem, cinco palestinos morreram em confrontos em Gaza e ummilitante islâmico suicidou-se num posto de checagemisraelense. Na Cisjordânia, um suposto camicase palestino morreu hoje apósa detonação de explosivos atados a seu corpo em Abu Sneina, umpovoado entre Qalqilya e Tulkarem. Não houve mais nenhumavítima. De acordo com a Rádio do Exército de Israel, o militantedetonou a carga explosiva ao ser descoberto por uma patrulha. Israel está recuando de sua ofensiva militar de três semanascontra a Cisjordânia e deveria retirar-se de mais cidadespalestinas durante o fim de semana.Missão da Onu Nas primeiras horas de hoje, pelo horário local, Israelprometeu cooperar com a missão da Organização das Nações Unidasque fará uma avaliação da situação no campo de refugiadospalestinos de Jenin, na Cisjordânia, ocupado durante pelo menosduas semanas por tropas israelenses e cenário de violentosconfrontos que, segundo fontes oficiais palestinas, deixaramgrande número de civis mortos, feridos, edifícios destruídos edesabrigados. "Não temos nada a esconder e vamos cooperar com prazer com asinvestigações da ONU", declarou Raanan Gissin, porta-voz doprimeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, reiterando adisposição israelense de aceitar a missão. Mas o assistente do Departamento de Estado dos EUA para o Oriente Médio, William Burns, classificou o quadro em Jenin como"uma terrível tragédia humana". Burns esteve no campo de refugiados. "É óbvio que o queaconteceu aqui em Jenin causou uma terrível tragédia humana eenorme sofrimento para milhares de civis palestinos", insistiuo assistente do Departamento de Estado, o mais graduadofuncionário norte-americano a inpecionar o campo desde que asforças israelenses se retiraram dele na sexta-feira. Burns estava acompanhado de funcionários das Nações Unidas eguarda-costas armados. Ele parou para observar refugiadoscirculando em desespero entre os escombros de suas casas -alguns procurando por parentes soterrados ou objetos. O funcionário norte-americano dirigiu um apelo ao governoisraelense para que facilite o acesso de agências humanitáriasao campo para reduzir o sofrimento da população. Burns não quis comentar a acusação palestina de que as tropasisraelenses cometeram um massacre no campo - classificado porIsrael de "ninho do terror", de onde teriam partido 23 ataquessuicidas. "O que importa é que as Nações Unidas vão desencadear umainspeção para determinar o que realmente ocorreu aqui, com acooperação de israelenses e palestinos", destacou o funcionário entrevistado pelas agências internacionais apenas algumas horasdepois que o Conselho de Segurança da ONU aprovou, com apoio dosEstados Unidos, o envio da missão investigatória a Jenin. O chefe dos negociadores de paz palestinos, Saeb Erekat,aplaudiu a resolução, manifestando a esperança de que a missão"encontre as evidências do massacre". Mas ele lançou dúvidas sobre a disposição israelense decooperar com os delegados internacionais. "A missão deve tergarantias absolutas de livre movimentação."Vida sob os escombros Ainda neste sábado, em Jenin, um jovem palestino de 19 anosfoi encontrado com vida sob os escombros de um prédio no campode refugiados existente nos arredores da cidade. Ele passou novedias soterrado. O jovem, Sari Hadri, foi encontrado em gravescondições de saúde e levado ao Hospital de Jenin. O sobrevivente contou às equipes de resgate que toda a suafamília estava em casa quando esta foi destruída e que algumparente seu ainda poderia estar vivo. Ele foi encontrado nobairro de Haret Hawashim, o mais devastado do campo derefugiados. Também em Jenin, o fotógrafo palestino Mahfouz Abu Turk, de 52anos, foi detido por forças israelenses na periferia da cidade.Ele regressava de Jenin junto a uma equipe da agência Reutersquando soldados israelenses o detiveram no posto de controle. Turk trabalha na região há anos para a Reuters. Há poucos dias num incidente semelhante, um fotógrafo palestino da AssociatedPress foi detido em Nablus, sendo libertado em seguida. Em Washington, o presidente George W. Bush exortou Israel aprosseguir na retirada de suas tropas das cidades palestinas,mas sem insistir em prazo para conclusão da intervenção. O Exército israelense informou que se retirou de Jenin, mascontinua cercando o campo por medida de precaução. Reiteroutambém que suas forças sairão de outras partes da Cisjordâniacom exceção de Ramallah (mantendo o cerco ao quartel-general dolíder palestino Yasser Arafat) e da Basílica da Natividade, emBelém, onde se estariam refugiados cerca de 200 guerrilheirospalestinos. Tropas israelenses deslocaram-se para a Faixa de Gaza,aumentando a apreensão da população local, que teme uma ocupaçãonos moldes da ocorrida em Jenin. Por outro lado, o governo israelense recusou proposta deArafat de julgar num tribunal palestino os acusados doassassinato do ministro do Turismo israelense Rehavam Zeevi,ocorrido em outubro - um dos motivos alegados pelos israelensespara desencadear a operação Muralha Protetora naCisjordânia.

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