Violência volta ao Cairo e protestos terminam com 3 ativistas mortos

A polícia egípcia dispersou ontem um protesto de cerca de 10 mil ativistas pró-democracia que ocupavam a entrada do prédio do gabinete de ministros do governo. Houve confronto e ao menos 3 pessoas morreram e 222 ficaram feridas, segundo fontes hospitalares. Os manifestantes exigem a transição de poder da junta militar que governa o país desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro, para os civis.

CAIRO, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h01

Os policiais usaram cassetetes e máquinas de choque contra os manifestantes, acampados no local desde novembro. Eles reagiram com pedras e coquetéis molotov e o confronto ganhou contornos de batalha campal.

A maior parte dos ativistas era ligados a políticos seculares, que rapidamente condenaram a violência. Ziad el-Elaimy, um dos líderes da coalizão secular Bloco Egípcio disse ter sido agredido no protesto. "Um policial disse para mim: 'Vá para o inferno você e seu Parlamento'."

O diplomata e Prêmio Nobel da Paz Mohammed ElBaradei também condenou o comportamento dos policiais. "Mesmo se a ocupação fosse ilegal, havia necessidade de tanta barbaridade e brutalidade?", questionou em sua conta no Twitter.

Foi o episódio mais violento no país desde o fim de novembro, quando manifestantes ocuparam a Praça Tahrir, símbolo da revolução de fevereiro, para pedir a saída dos militares. Na ocasião, 42 pessoas morreram.

Segundo os manifestantes, a violência começou na noite de quinta-feira. Os ativistas gritavam palavras de ordem contra o comandante da junta, o marechal Hussain Tantawi, quando policiais agrediram com violência um dos participantes. Os demais participantes do protesto reagiram. Vídeos e fotos da agressão se espalharam pelas redes sociais, o que motivou mais pessoas a aderirem à ocupação.

As tensões entre o povo e as forças de segurança é tão grande que qualquer coisa desencadeia uma explosão", disse o ativista Hussein Hammouda. "Não há confiança entre os dois lados."

A primeira reunião do novo gabinete de ministros, nomeado dia 7 para acalmar as manifestações, deve acontecer no domingo. Em uma concessão aos ativistas, ajunta militar decidiu aumentar os poderes do premiê Kamal Ganzhouri, concedendo-lhe alguns dos poderes de Mubarak.

Eleições. A Irmandade Muçulmana venceu a segunda fase das eleições parlamentares, encerrada na quinta-feira, segundo a imprensa local. Assim como no primeiro turno, o Partido Justiça e Liberdade (PJL), braço político do movimento, deve conquistar o maior número de cadeiras, seguido pelos salafistas do Al-Nur e pelos seculares do Bloco Egípcio. As eleições aconteceram nas províncias de Suez, Assuã, e áreas da Grande Cairo e do Delta do Nilo. / AP e REUTERS

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