Violência volta ao Quênia após recuo da oposição

Uma nova onda de protestos tomou ontem as ruas de diversas cidades do Quênia, após líderes da oposição terem anunciado o fim do diálogo para a formação de um governo de coalizão. O acordo foi a medida encontrada, no fim de fevereiro, para pôr fim à violência que tomou conta do país no início do ano.O líder da oposição, Raila Odinga, abandonou as conversações com o presidente Mwai Kibaki, ao acusá-lo de não respeitar os acordos para dividir o poder no gabinete. ''Decidimos suspender as negociações até que o partido de Kibaki reconheça que o acordo prevê uma divisão de poder igualitária'', disse o porta-voz dos opositores, Anyang Nyong.De acordo com testemunhas, dezenas de jovens saíram para protestar na favela de Kibera - na capital, Nairóbi -, queimando pneus, erguendo barricadas e lançando foguetes contra postos policiais. As cenas de violência lembraram os confrontos que se espalharam pelo país logo após a votação de dezembro, que reelegeu o presidente Mwai Kibaki, no poder desde 2002.A oposição afirmou que houve fraude e deu início aos confrontos, que passaram a ser étnicos - Kibaki e Odinga são de tribos diferentes. Em dois meses, 1.500 pessoas morreram e 600 mil foram obrigadas a fugir de suas casas. A violência só foi interrompida quando governo e oposição aceitaram formar um gabinete de coalizão. No entanto, eles ainda não conseguiram decidir quais serão os termos desse acordo.Também ocorreram, ontem, protestos em cidades como Kisumu (oeste), onde centenas de opositores bloquearam a estrada para o aeroporto e apedrejaram os carros que tentavam passar.

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