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JOAQUIN SARMIENTO / AFP
JOAQUIN SARMIENTO / AFP

Exército ocupa as ruas de Cali após confrontos deixarem ao menos 13 mortos

Segundo a polícia local, a região sul da cidade tornou-se palco de confronto similar a uma guerra urbana

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2021 | 13h18
Atualizado 29 de maio de 2021 | 18h53

CALI, COLÔMBIA - O Exército colombiano ocupou neste sábado, 29, as ruas de Cali, a terceira maior cidade do país, depois de uma madrugada marcada pela violência. Ao menos 13 pessoas morreram depois que manifestantes saíram às ruas no aniversário de um mês dos protestos contra o governo de Iván Duque. 

Autoridades locais dizem que ainda não é possível determinar se todas as mortes estão ligadas aos protestos. Ainda na noite de sexta-feira, Duque despachou 7 mil militares para a cidade, epicentro dos protestos que começaram no final de abril. 

Um toque de recolher foi decretado em Cali após a noite de violência. Ao longo do sábado, o clima ainda era de tensão, com pouca movimentação nas ruas, tomadas por escombros e restos de barricadas do dia anterior. Segundo a prefeitura de Cali, houve registro de vandalismo contra propriedade pública e privada. 

A polícia diz que apenas três das mortes estão relacionadas aos protestos. O resto seria reflexo do acerto de contas entre gangues locais.

O prefeito de Cali, Jorge Iván Ospina, diz que ainda não é possível dizer que as 13 mortes estão vinculadas aos protestos, mas pediu que todas as mortes sejam investigadas. 

“Não há dúvida que a maioria delas está ligada às manifestações, mas não podemos garantir que são todas elas”, explicou.

Os manifestantes dizem terem sido alvos de disparos de civis armados quando faziam um ato para marcar o aniversário de um mês dos protestos contra a reforma tributária de Duque. 

“Estávamos em uma atividade cultural para marcar o aniversário da greve no bairro de Meléndez quando ouvimos tiros”, disse um sobrevivente, que não quis se identificar por temer por violência. “Começaram a nos massacrar. Eram cinco pessoas à paisana atirando atrás de umas árvores.”

Revolta nas ruas 

Em um dos episódios que mais provocaram indignação ontem no país, um membro do Ministério Público disparou contra um bloqueio de manifestantes, matou dois deles e foi linchado em seguida pela multidão. 

A polícia prometeu investigar a atuação de civis armados na noite de violência e prometeu punir oficiais que teriam sido “permissivos” com violência armada.

O Ministério Público também criticou os ataques de civis aos manifestantes e até mesmo contra equipes médicas, gravados em vídeos.

“Ontem houve uma situação muito específica, com civis usando armas de fogo contra os manifestantes de maneira indiscriminada”, disse o diretor de investigação da polícia colombiana, Fernando Murillo. 

O decreto assinado por Duque na noite de sexta-feira também prevê o envio de militares para outros nove departamentos (Estados) colombianos o afetados pelos bloqueios viários. 

Até a sexta-feira, o governo contabilizava 49 mortes desde o início dos protestos, mas, segundo o Ministério Público, apenas 17 casos têm vínculo direto com as manifestações. A ONG Human Rights Watch afirma ter denúncias confiáveis sobre 63 óbitos, 28 relacionados com a crise.

Entenda a crise

A crise começou quando o governo quis impor mais impostos à classe média, atingida pela pandemia, para preencher a lacuna fiscal deixada pelo aumento de gastos para combater o coronavírus.

Duque desistiu da proposta, mas a repressão policial acirrou os ânimos. Atualmente as ruas estão cheias de jovens sem trabalho e sem aulas, que pedem um Estado mais ativo diante da devastação causada pela covid-19.

O governo evita condenar abertamente a repressão policial e assegura estar enfrentando vandalismo e o “terrorismo urbano de baixa intensidade”. Também denunciou que grupos guerrilheiros financiados pelo narcotráfico se infiltraram no movimento de protesto. 

Duque, que há duas semanas tenta negociar uma saída para a crise com os manifestantes, endureceu sua posição com o envio de tropas para as cidades. 

Luis Felipe Vega, professor de ciência política da Universidade Javeriana, questionou a medida. “É como apagar um incêndio com gasolina, já que um soldado é formado para neutralizar uma ameaça, e não para controlar protestos”, disse. / AFP e EFE

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