Viralizações e ceticismo na campanha de postagens negras 'BlackOutTuesday'

Viralizações e ceticismo na campanha de postagens negras 'BlackOutTuesday'

Com a proliferação de quadrados negros nas redes sociais, muitos ativistas alertaram que a publicação em massa dessas imagens estava deixando para trás as postagens da organização Black Lives Matter

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2020 | 17h36

NOVA YORK - Um dia de paralisação iniciado nesta terça-feira, 2, pela indústria da música, em solidariedade aos protestos antirracistas, se tornou um fenômeno da mídia social, com milhões de postagens de imagens negras acompanhadas de mensagens de indignação ou luto e as hashtags da campanha, #BlackLivesMatter e #BlackOutTuesday

As executivas do setor Jamila Thomas e Brianna Agyemang apresentaram a proposta de interromper os negócios nesta terça-feira, 2 de junho, "para enfatizar o racismo e a desigualdade que existem das salas de reuniões às ruas". 

Em meio a grandes protestos exigindo justiça pelo assassinato de George Floyd por um policial branco em Minneapolis, a campanha ganhou popularidade entre as principais gravadoras e produtores de música, além de personalidades do mundo artístico. 

Rihanna, Drake e Kylie Jenner postaram as imagens negras em suas contas do Instagram. Os Rolling Stones, Quincy

Jones e Billie Eilish também disseram que acompanhariam a paralisação. 

No entanto, com a proliferação de quadrados negros nas redes sociais, muitos ativistas alertaram que a publicação em massa dessas imagens estava deixando para trás, quase inacessíveis, as postagens da organização Black Lives Matter que fornecem informações, recursos e documentação dos protestos da comunidade pela brutalidade policial racista. 

"Quando você analisa a hashtag #BlackLivesMatter, eles não são mais vídeos, informações úteis, recursos, documentação de injustiça, são filas de telas pretas", alertou o cantor Kehlani no Instagram. 

Em vez de fazer isso, os ativistas recomendaram marcar as postagens com #BlackOutTuesday. 

O movimento começou como uma tentativa de mea culpa do ramo da música de tirar proveito de artistas, tradições e comunidades negras sem pagá-los pelos créditos. 

Algumas vozes críticas disseram que a mensagem poderia ser apropriada por marcas e pessoas para se promover. 

"Eu sei que eles têm boas intenções, mas dizer que parar de publicar por um dia é a pior ideia", tuitou o rapper Lil Nas X. 

"Realmente acho que este é o momento de continuarmos com força. Não acho que o movimento tenha sido tão poderoso como antes. Não precisamos pará-lo sem publicar nada. Precisamos espalhar informações e torná-las mais fortes do que nunca", acrescentou. 

Várias postagens amplamente compartilhadas incentivaram os usuários de mídia social a não transformar a iniciativa em um momento de autopromoção, mas a usar as redes e várias plataformas para promover e homenagear os membros da comunidade negra. 

O Bandcamp, uma plataforma para os músicos compartilharem e ganharem dinheiro com sua arte, prometeu doar sua parte das vendas realizadas em 19 de junho, feriado comemorativo à emancipação dos afro-americanos da escravidão, para o Fundo de Defesa Legal da NAACP, uma das principais associações de direitos civis dos Estados Unidos. 

A empresa também disse que gastará US$ 30 mil por ano em parceria com outras organizações anti-racistas. 

"O clima atual faz parte de um sistema de opressão estrutural de longa data, generalizado e consolidado, e o progresso real requer um compromisso sustentado e sincero com a justiça e com as mudanças políticas, sociais e econômicas", disse Bandcamp./AFP 

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