Virginia Tech se prepara para retomar aulas após ataque

A universidade de Virginia Tech, onde há cerca de uma semana um estudante matou 32 pessoas e depois se suicidou, retomará suas atividades nesta segunda-feira, 23, enquanto prosseguem as investigações e debates em torno do episódio.O centro de ensino, localizado em Blacksburg, na Virgínia, 450quilômetros a sudoeste da capital Washington, aguarda o retorno da maioria de seus 26 mil estudantes para a etapa final dos cursos deste ano, ao mesmo tempo em que terminam os funerais das vítimas do estudante sul-coreano Cho Seung-hui."Do ponto de vista da universidade, temos de seguir adiante",disse o porta-voz da Virginia Tech, Larry Hincker. "Faremos tudo o que for possível para reorganizar este lugar e impedir que estatragédia volte a acontecer."O edifício de engenharia Norris Hall, onde Cho matou 32 pessoas edepois se suicidou, permanecerá fechado pelo resto do semestre. As autoridades locais também vêm tomando uma série de medidaspara diminuir a presença da imprensa no local.Em poucas horas, o prédio de mil hectares se tornou palco dopior massacre com armas de fogo perpetrado por um indivíduo nahistória dos Estados Unidos.FamíliaA família de Cho divulgou um comunicado no qual expressou seuhorror pelas ações do jovem e seu pesar pela tragédia que deixou os EUA em estado de choque.Numa reportagem publicada neste domingo pelo jornal americano The New York Times, familiares de Cho na Coréia do Sul relatam como a mãe do jovem expressou durante anos seu desconcerto pela falta de comunicação com seu filho."Quando Cho disse à mãe que era um bom menino, calado, mas queestava de bem com a vida, ela me disse que preferiria que eletivesse dito a verdade, apesar de não ser tão bom e calmo", declarou à publicação Kim Yang-soon, de 84 anos e que era tia-avó de Cho.Após a tragédia, como já tinha ocorrido depois de outrosepisódios de violência, foi retomado nos Estados Unidos o debatesobre o porte de armas de fogo.SegurançaNo que diz respeito à universidade de Virginia Tech, foramintensificadas neste fim de semana as discussões sobre se asautoridades acadêmicas tomaram as medidas adequadas depois que duas pessoas foram mortas a tiros num dormitório do centro de ensino.Apesar de Cho ter tido mais duas horas e meia após o primeiroincidente para completar o massacre, a polícia alegou que mantinha sob custódia um suspeito do primeiro tiroteio, razão pela qual as aulas não foram suspensas nem os prédios foram esvaziados.TraumaSydney Vail, diretor de trauma no Hospital CarilionRoanoke Memorial, para onde foram levadas várias das vítimas de Cho, disse que alguns dos ferimentos foram mais graves porque o atirador usou uma pistola de 9 mm com balas de ponta oca."Quando as balas de ponta oca atingem o corpo se abrem comopétalas metálicas", disse. "Isso causa ferimentos mais largos",acrescentou.Ted Feinberg, diretor-adjunto da Associação Nacional dePsicólogos Escolares, acrescentou que as feridas emocionais epsicológicas causadas por ataques do tipo permanecem por dias,semanas ou meses.Feinberg, que tratou alunos da escola secundária Columbine apósum ataque suicida cometido por dois estudantes em 1999, disse queaproximadamente 20% dos sobreviventes sofrem depressão grave,transtorno por estresse pós-traumático e outras doenças."Aqui há um prédio universitário bonito, pacífico, com um entornotranqüilo, e agora as coisas jamais serão como eram", disse Feinberg ao jornal americano The Washington Post.

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