Daniel Cole/AP
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Vírus avança e Europa adota mais restrições e decreta nova quarentena

França, Espanha, Reino Unido e Alemanha voltam a registrar aumento de novos casos e, temendo uma segunda onda da pandemia, exigem que cidadãos que foram passar férias em áreas de risco cumpram período de isolamento ao voltar

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 20h42

O temor de uma segunda onda de pandemia do novo coronavírus cresce na Europa diante do persistente aumento de casos em países como França, Espanha, Reino Unido e Alemanha, que nos últimos dias registraram um ritmo médio de expansão de mais de mil novas infecções a cada 24 horas.

Após o retorno de uma aparente normalidade no começo do verão em muitos países, novos fechamentos foram determinados para controlar os casos de covid-19, doença que já matou 761.612 pessoas e infectou mais de 21 milhões no mundo, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Na Europa, o número de casos é superior a 3,4 milhões e vem crescendo nas últimas semanas, mas, por enquanto, o número de mortos, não, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O continente soma mais de 209 mil mortes, atrás de América Latina e Caribe.

As cidades francesas de Paris e Marselha foram declaradas zonas de risco depois que as autoridades observaram um constante aumento de infecções. “A situação está se deteriorando semana a semana”, disse o diretor-geral de saúde, Jérome Salomon, à rádio France Inter. Ele acrescentou que novas infecções surgem todos os dias depois de reuniões familiares, grandes festas e encontros em meio às férias de verão. Entre as medidas para conter os contágios, as autoridades proibiram reuniões com mais de dez pessoas e reimpuseram o uso obrigatório de máscaras em várias áreas da capital.

O Reino Unido, o país europeu mais afetado pela covid-19, com 41 mil mortos, e que também tem registrado um aumento de casos, voltará a impor uma quarentena a viajantes procedentes de França, Holanda e Malta. A medida segue vigente para Espanha, Bélgica, Andorra e Bahamas. Cerca de 160 mil pessoas estão de férias na França, segundo o governo britânico, e uma parte dos cerca de 300 mil franceses que vivem no Reino Unido aproveitam o verão para voltar a seu país. Temendo ter de ficar de quarentena, muitos britânicos estão antecipando seu retorno de férias em cidades francesas.

Irritado com a medida, o governo da França advertiu que o anúncio de Londres provocará uma “medida de reciprocidade” que afetará os franceses ou residentes na França que se encontram atualmente em território britânico.

A Espanha, que registrou mais de 3 mil novas infecções em 24 horas nesta sexta-feira, 14, e na quinta-feira, decidiu fechar as boates e proibir as pessoas de fumar nas ruas sem respeitas a distância de segurança. Com centenas de surtos, a Espanha, que lidera na Europa Ocidental em número de infectados com quase 343 mil, atingiu uma média de 111 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, frente a 33,6 na França e 17 no Reino Unido. 

A Alemanha declarou nesta sexta toda a Espanha, com exceção das Ilhas Canárias, uma zona de risco. Muitos alemães foram passar as férias em cidades espanholas e, a partir de agora, todas as pessoas que retornarem da Espanha deverão se submeter a um teste e respeitar a quarentena à espera dos resultados. A Alemanha tem 223.788 casos e 9.230 mortos. 

Seguindo o exemplo da Alemanha, esta semana o governo italiano também decretou obrigatória a realização de testes em pessoas procedentes não apenas da Espanha, mas também de Malta, Croácia e Grécia, países considerados de risco. Desde o início da pandemia, em fevereiro, a Itália registrou 252.809 casos e 35.234 mortos.

Novas restrições também foram anunciadas na Grécia, que tem registrado um aumento no número de novos casos. Na quarta-feira, o país teve o recorde de 262 novas infecções. Ao todo, a Grécia tem 6.632 casos confirmados e 223 mortes. Bares, restaurantes e casas noturnas não poderão funcionar após a meia-noite e devem seguir estritamente as medidas de segurança. Também estão proibidos encontros públicos e sociais com mais de 50 pessoas. / NYT, REUTERS, EFE e AFP

 

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