EFE/Juan Ignacio Roncoroni
EFE/Juan Ignacio Roncoroni

Vírus avança em México, Argentina e Peru e torna América Latina novo foco da pandemia

Contração econômica na região da América Latina e Caribe será de 5,3% este ano - a pior desde 1930; região tem 640 mil casos

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2020 | 15h00

Puxada pelo crescimento nos casos no Brasil, na Argentina, no México e no Peru, a pandemia do novo coronavírus avança na região da América Latina com quase 640 mil casos e mais de 35 mil mortes. O avanço na região ocorre à medida em que paíse da Europa reabrem gradualmente e a China já prevê uma vitória sobre o vírus. 

Nesta sexta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a América do Sul se tornou "o epicentro da doença". "Vimos muitos países sul-americanos com aumento do número de casos, e claramente há preocupação em muitos desses países, mas certamente o mais afetado é o Brasil", disse Michael Ryan, diretor do programa de emergências da entidade. 

O número de casos no mundo dobrou em um mês, com uma forte aceleração na América Latina e no Caribe. A pandemia deixará 11,5 milhões de novos desempregados em 2020 na região, o que elevará o total para 37,7 milhões de pessoas, de acordo com um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A Cepal tem alertado ainda para a desigualdade na região, que é a maior do planeta, e crescerá com a pandemia. A contração econômica na região será de 5,3% este ano - a pior desde 1930 - e terá efeitos na taxa de desemprego, que passará de 8,1% em 2019 para 11,5% em 2020, de acordo com o relatório.

O Brasil, um dos países em que a pandemia cresce mais rapidamente, ultrapassou 20 mil mortes por coronavírus na quinta, depois de atingir um registro diário de 1.188 mortes.

O País é o terceiro país em número de afetados, com 310.087 casos, atrás dos Estados Unidos e da Rússia. O número de infecções pode ser, no entanto, até 15 vezes maior, devido à dificuldade de se obter estatísticas precisas devido à falta de testes, segundo analistas.

A crise ocorre em um contexto de forte confusão política devido a divergências entre a maioria dos governadores, a favor de medidas de confinamento, e o presidente Jair Bolsonaro, que critica o impacto econômico do distanciamento.  

Hospitais abarrotados

No Peru, que ultrapassou 108 mil infecções e 3 mil mortes, os hospitais de Lima estão prestes a entrar em colapso e faltam equipamentos médicos, pessoal, camas, ventiladores, oxigênio e outros suprimentos.

"É como um filme de terror, dentro (do hospital) parece um cemitério, os pacientes morrem em cadeiras de rodas", disse o enfermeiro Miguel Armas, do hospital Hipólito Unanue, de Lima. 

O México, segundo país mais populoso da região com 126 milhões de habitantes, tem 54 mil casos e 5.560 mortos. Com 9 milhões de habitantes, a capital é a região mais afetada do país, com 16.758 contagiados e 1.461 mortes. 

O presidente do país, López Obrador, afirmou que o país conseguiu evitar uma sobrecarga no sistema de saúde de que a pandemia tem ocorrido "de acordo com o projetado" no país. "Apesar do sofrimento da perda de vidas humanas, conseguimos evitar uma sobrecarga. Podemos descartar isso", disse. 

A chefe do governo da capital, Claudia Sheinbaum, disse que 80% dos leitos de hospitais estão ocupados na Cidade do México e que trabalha para ampliar a capacidade. Segundo dados federais, há 61 % de disponibilidade em leitos gerais e de 66% em leitos de terapia intensiva. 

Argentina, Chile e Equador

Argentina registrou na quinta 21.648 novos casos de coronavírus, mais que o dobro do número detectado há duas semanas, informou o Ministério da Saúde. Pelo menos 90% das infecções causadas pela pandemia estão concentradas na cidade de Buenos Aires e seu entorno, que reúne cerca de 14 milhões de pessoas. O total acumulado de mortes aumentou para 416 no país. 

O Chile, que vivenciou seis meses de crise social antes da pandemia, está se aproximando de 60 mil casos e protestos em Santiago se espalharam para denunciar a falta de comida. "Esta é uma grande batalha da qual ninguém pode se distanciar", disse o ministro da Saúde Jaime Mañalich, que alertou que o aumento de casos "causará pressão na rede de saúde" nos próximos dias.

Mañalich também pediu para respeitar a quarentena e superar as diferenças e polarizações políticas em meio a uma profunda desconfiança no governo de Sebastián Piñera.

O Equador, gravemente afetado com quase 35 mil casos e quase 3 mil mortos, enfrenta um novo problema: dois terços dos presos de um presídio estão infectados. No país, as cidades mais afetadas são o porto de Guyaquil e a capital, Quito. 

Com mais de 18 mil casos e 650 mortes, a Colômbia impôs o confinamento geral desde 24 de março, e vê o vírus prejudicando diversos setores de sua economia. O café, que sustenta 540 mil famílias, também será afetado, já que a pandemia impede os deslocamentos dos coletores para regiões onde se produz o melhor café suave do mundo. Os cafeicultores temem que parte de sua colheita permaneça nas árvores. 

Há problemas na colheita, dificuldade na distribuição entre os produtores e os centros de compra e atrasos nas embarcações para o exterior. Para a quarta economia da América Latina, o café representa um de seus principais produtos, depois do petróleo e da mineração, reduzidos devido ao novo coronavírus. / Reuters, AFP e EFE  

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