Dustin Chambers/Reuters
Dustin Chambers/Reuters

Vírus bagunça volta às aulas na Geórgia

Na primeira semana de reabertura, quase mil alunos são colocados em quarentena

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 04h00

CANTON, EUA - A primeira carta foi enviada no dia 4, quando estudantes do Condado de Cherokee retornaram às aulas. “Caros pais, escrevo esta carta para comunicar que um aluno teve diagnóstico positivo para covid-19”, escreveu Ashley Kennerly, diretora da Sixes Elementary School. 

Três dias depois, diretores de outras dez escolas haviam enviado cartas iguais a várias famílias do mesmo subúrbio de Atlanta, na Geórgia. Nesta semana, mais cartas foram enviadas. Ao todo, 925 estudantes receberam ordem de permanecer em casa em quarentena.

O debate sobre voltar ou não às aulas presenciais nos EUA divide as escolas. Algumas, nos Estados de Georgia, Tennessee, Mississippi e Indiana, principalmente nos subúrbios ricos das grandes cidades, estão abertas há quase duas semanas, mas não sem risco. Em muitas, alunos e professores foram infectados pela covid-19 e as escolas tiveram de fechar de novo. 

A questão divide os EUA. “Foi exatamente isso que prevíamos que aconteceria”, afirmou Allison Webb, de 44 anos, que deixou o emprego de professora de espanhol e francês, preocupada com a reabertura das escolas, e colocou a filha no programa de aprendizado remoto do distrito. “Não é seguro retornar às aulas.” Jenny Beth Martin, uma das fundadoras do Tea Party, a ala mais à direita dos republicanos, queria que as escolas reabrissem e disse que o retorno é um sucesso. “O plano de abertura está funcionando.” 

Os defensores do retorno às aulas presenciais argumentam que os pais têm de trabalhar e os alunos precisam dos professores. No início de julho, quando o conselho da escola Sixes Elementary aprovou a volta às aulas, o Condado de Cherokee tinha 260 mil casos de covid-19. Quando os números começaram a subir, algumas mães decidiram tirar seus filhos da escola e dar aula para eles em casa. Mas a maioria das famílias (77%) aprovou a reabertura.

Um exemplo deixa claro o problema. No primeiro dia de aula, um aluno do segundo grau foi para a escola, mas não pôde voltar no segundo, pois estava infectado. A direção, então, mandou os outros 20 da classe para casa por duas semanas, juntamente com o professor. A classe agora se reúne apenas online.

À medida que a semana foi passando, as cartas dos diretores continuaram a chegar em número cada vez maior. Um menino do oitavo ano teve diagnóstico positivo na Dean Rusk Middle School; outro do primeiro grau da William Hasty Elementary Fine Arts Academy; dois da escola de segundo grau de Cherokee. Perto do primeiro fim de semana, com 5 dias de aula, havia 260 alunos em quarentena. 

“Espero que nenhum dos que ficarem doentes morra”, escreveu Miranda Wicker, uma mãe de 38 anos que havia decidido deixar os dois filhos em casa. “Isso poderia ter sido evitado.” Na terça-feira, já eram 1.193 em isolamento – com 59 casos positivos. 

O superintendente da escola, Brian Hightower, reforçou a necessidade de usar a máscara, mas nem todas as famílias concordam. Um grupo de 40 pais apareceu nos escritórios do distrito antes do início das aulas, terça-feira. Carregando balões e cartazes, eles declararam apoio à reabertura. “Não se preocupem com os malucos e os pessimistas”, dizia o cartaz de Morgan Morrison, de 28 anos, mãe de uma menina do segundo grau que “perdeu a máscara no segundo dia”.

Morgan disse que ela e o marido também não usavam máscara. “Deus tem um plano para quando ele quiser nos levar para o céu”, afirmou. “Não há nada que possamos fazer para impedir isso.” / NYT, TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA 

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