AFP PHOTO / FABRICE COFFRINI
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‘Visibilidade do Nobel aumenta nossa responsabilidade’, diz brasileiro do Ican

Para Cristian Wittmann, membro do comitê gestor de entidade ganhadora do Nobel da Paz deste ano, grupo foi bem sucedido ao liderar de forma coordenada a luta antinuclear

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2017 | 16h35

Membro do comitê gestor da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican), o brasileiro Cristian Wittmann, de 34 anos, professor Universidade Federal do Pampa, no Rio Grande do Sul, ressalta a importância do prêmio Nobel da Paz dado à entidade nesta sexta-feira, 6, para a luta antinuclear no mundo, em um momento no qual importantes avanços na área, como o acordo nuclear com o Irã, estão em risco. 

+Ican tenta proibir e eliminar armas nucleares há 10 anos

Ao Estado, Wittmann, que pretende estar em Oslo para a entrega do prêmio no fim do ano, disse que não há dúvida de que o Nobel da Paz auxiliará na mobilização da sociedade para a comprensão do risco que as armas atômicas representam. “Com a visibilidade que esse prêmio nos dá, aumenta a nossa responsabilidade e credibilidade em continuar com esse esforço de proibir e eliminar as armas nucleares”, disse Wittmann. “A postura bem-sucedida da Ican se deve a coordenar várias entidades para a assinatura desse tratado histórico na ONU agora em setembro.”

Ao menos 122 nações adotaram o Tratado das Nações Unidas para a Proibição das Armas Nucleares, mas os Estados que possuem esse tipo de armamento, como EUA, Rússia, China, Reino Unido e França, não participaram das negociações.

“A questão do acordo com o Irã e a Coreia do Norte mostram que há sempre uma tensão que envolve essas armas”, acrescentou Wittmann. “Do nosso ponto de vista não é concebível que alguns países tenham e outros não. Ninguém pode ter.”

O Ican é uma coalizão de grupos não governamentais presente em mais de 100 países. Apesar de ter surgido na Austrália, foi oficialmente fundado em Viena, em 2007. 

O comitê do Nobel concedeu o prêmio ao grupo “por seu trabalho em voltar as atenções para as consequências humanitárias catastróficas de qualquer uso de armas nucleares e por seus esforços pioneiros para alcançar um pacto com base na proibição de tais armamentos”.

“O Brasil foi um grande líder ao processo que levou à proibição dessas armas, principalmente nos últimos três anos, quando o país abraçou essa causa de um tratado de proibição no âmbito da ONU”, concluiu Wittmann.

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