Visita americana ao Paquistão aumenta temores de ataque dos EUA

O chefe do Estado-Maior Conjunto dosEstados Unidos, almirante Mike Mullen, visitou o Paquistão nofim de semana, alimentando especulações de que os EUA podemestar prestes a atacar militantes no noroeste do Paquistão. O Paquistão vem sendo aliado estreito dos EUA na campanhaglobal contra o terrorismo, mas os EUA estão cada vez maisfrustrados com o que vêem como ações insuficientes de Islamabadno combate a militantes na região de sua fronteira com oAfeganistão. Uma porta-voz da embaixada americana confirmou que Mullenfez uma viagem de um dia ao Paquistão no sábado, mas disse quenão tinha mais detalhes a informar. Não foi possível obtercomentários de representantes militares ou do governo doPaquistão. Jornais paquistaneses disseram que Mullen, em conversaçõescom comandantes militares e os líderes do novo governopaquistanês, expressou frustração profunda com os crescentesataques de militantes na fronteira e pediu ações decisivas parapôr fim a eles. O cinturão semi-autônomo tribal pashtu paquistanês nafronteira afegã tornou-se refúgio de militantes do Taliban e daAl Qaeda que combatem soldados ocidentais no Afeganistão eforças de segurança do Paquistão. Quinze soldados foram mortosna região no sábado. O Pentágono informou no mês passado que locais que abrigaminsurgentes no Paquistão são a maior ameaça à segurança doAfeganistão. Paquistão excluiu a possibilidade de autorizar a entrada detropas estrangeiras em seu solo, mas aviões espiões nãotripulados dos EUA vêm aumentando seus vôos e ataques no ladopaquistanês da fronteira. Em Washington, na sexta-feira, o chanceler paquistanês ShahMahmood Qureshi assegurou aos EUA que seu país está fazendotudo que pode para combater os militantes na fronteira. "AGRESSIVOS" A ação americana mais agressiva na fronteira vem motivandoespeculações sobre um possível ataque americano. No mês passado, 11 soldados paquistaneses na fronteiramorreram num ataque aéreo dos EUA contra militantes do Taliban. No sábado, o Paquistão protestou junto aos EUA contradisparos feitos desde o Afeganistão na quinta-feira que feriramseis soldados paquistaneses. A força da Organização do Tratadodo Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão atribuiu os disparos amilitantes, dizendo que estes querem "desencadear um incidentena fronteira". Os temores são alimentados pelo fato de alguns políticosamericanos, incluindo o candidato presidencial Barack Obama,terem dito que os EUA poderiam a atacar a Al Qaeda em solopaquistanês sem a aprovação do Paquistão. Um novo governo chegou ao poder após a derrota dos aliadosdo presidente Pervez Musharraf nas eleições de fevereiro,prometendo negociar o fim da violência, mas comandantes dos EUAno Afeganistão dizem que esses esforços de paz levaram aoaumento dos ataques de militantes no Paquistão. Muitos paquistaneses se opõem à campanha dos EUA contra osmilitantes e culpam a cooperação de Musharraf com os EUA porincitar a violência. Qualquer ação dos EUA no Paquistão, dizem,apenas exacerbaria o problema. O jornal News publicou que o almirante Mullen foiacompanhado em sua visita por autoridades da agência deinteligência norte-americana, a CIA. "Aparentemente osamericanos foram bastante agressivos em suas acusações", disseo jornal. Comandantes da Otan no Afeganistão dizem que só podem agiraté a fronteira e que suas tropas não irão além disso, masessas declarações não diminuíram as especulações sobre umpossível ataque dos EUA em solo paquistanês. Um alto funcionário paquistanês que não se deixouidentificar disse: "Os jornais não param de repetir isso, masexiste um entendimento entre o governo do Paquistão e as forçasda Otan e da ONU que acho que os EUA não violarão." Um analista, porém, considerou que é possível os EUAlançarem ataques limitados. "Não digo que os EUA viriam com forças terrestres em grandenúmero, porque entenderiam que isso seria um grande erro",disse o analista de segurança e general da reserva TalatMassod. "Mas é possível que, se encontrarem um grupo de militantes,possam fazer alguns comandos desembarcarem (em solopaquistanês)."

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