Visita de ministros do Japão a santuário de guerra irrita China

A China condenou a visita de dois ministros japoneses a um controverso santuário para vítimas de guerra nesta quinta-feira, desgastando ainda mais as relações já tensas entre as duas maiores economias da Ásia.

Reuters

18 de outubro de 2012 | 08h24

As relações sino-japonesas pioraram acentuadamente no mês passado, quando uma disputa pela posse de ilhas desabitadas levou a violentos protestos antijaponeses em toda a China e abalou gravemente o comércio entre os países.

A peregrinação dos ministros ao Santuário Yasukuni, visto por muitos na região como um símbolo do militarismo japonês, ocorreu um dia depois de uma visita do principal líder do partido de oposição do Japão e possível próximo primeiro-ministro, Shinzo Abe, ao local.

O ministro de Território, Yuichiro Hata, e o ministro de privatização dos correios, Mikio Shimoji, estavam no grupo de parlamentares que visitou o santuário durante o festival de outono.

Catorze líderes de guerra japoneses condenados como criminosos de guerra por um tribunal são homenageados no santuário junto com outras vítimas de guerra.

Hata disse a repórteres que sua visita era privada.

"Eu fiz a visita como secretário-geral do Novo Partido do Povo. Não vai ser um grande problema diplomático", disse Shimoji, cujo partido é um pequeno parceiro da coalizão do Partido Democrata.

O Ministério das Relações Exteriores da China discordou.

"O Santuário Yasukuni é um pilar espiritual usado pelo militarismo japonês para suas agressões no exterior. Ele ainda consagra criminosos de guerra que devem às pessoas vitimadas pesadas dívidas sangrentas", disse o porta-voz Hong Lei durante uma entrevista coletiva diária.

"Nós pedimos ao lado japonês para encarar de frente e refletir sobre a história e respeitar estritamente as suas solenes declarações e promessas a respeito de questões históricas, e enfrentar a comunidade internacional de forma responsável."

Os laços entre os países são assombrados há anos pelo que o governo chinês afirma ser devido à recusa do Japão de admitir atrocidades de guerra cometidas por soldados japoneses na China entre 1931 e 1945.

(Reportagem de Kaori Kaneko, em Tóquio, e Yue Terril Jones e Ben Blanchard, em Pequim)

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