EFE/MIKE THEILER / POOL
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Visita de Obama pode fazer mais para mudar Cuba do que 50 anos de isolamento, diz 'NYT'

Em editorial, jornal americano diz que viagem 'não desencadeará reformas da noite para o dia' na ilha, mas que tem grande potencial futuro e pede que presidente desafie o colega cubano Raúl Castro

O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2016 | 10h49

NOVA YORK - O jornal americano The New York Times defendeu em editorial publicado nesta sexta-feira, 19, a visita do presidente Barack Obama a Cuba, mas cobrou que ele ponha em prática com relação ao país caribenho o que defendeu em sua visita à África, no ano passado: "que ninguém seja presidente a vida toda".

"No próximo mês, quando se tornar o primeiro presidente americano a visitar cuba em 88 anos, Obama terá uma oportunidade de expor essa opinião perto de casa. Para um presidente americano que é amplamente popular em Cuba, sua mensagem sobre tradições democráticas, liderança e poder ressoar de forma poderosa", escreveu o NYT.

Além disso, o jornal sugere que Obama desafie o presidente cubano Raúl Castro, que prometeu deixar o poder em 2018, a definir o cenário para uma transição política na qual todos os cubanos tenham voz e direito a voto. Para o diário, o presidente americano deveria urgir os cubanos de todas as ideologias a começarem a debater suas diferenças de forma construtiva, pondo fim a repressão aos que são críticos do regime.

"Obama deve destacar que os líderes de Cuba poderiam fazer muito mais para revitalizar a economia da ilha, o que deteria o fluxo de pessoas que deixam o país em busca de um futuro melhor em outros lugares. E ele deveria dizer aos cubanos que eles merecem algo melhor do que os líderes escolhidos pelo Partido Comunista", propõe o texto.

O NYT diz ainda que os EUA tentaram por décadas provocar uma mudança de regime em Cuba com uma série de estratégias que falharam, incluindo o uso da força e de subterfúgios, o que deu aos líderes cubanos um pretexto para dirigir o país como um Estado policial.

"A curta viagem de Obama tem pouca chance de desencadear reformas da noite para o dia em Cuba. Mas ela tem potencial para fazer mais do que qualquer um de seus antecessores conseguiu ao plantar as sementes para uma mudança transformadora."

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