Alejandro Ernesto/Efe
Alejandro Ernesto/Efe

Visitar Cuba é uma 'viagem no tempo', dizem americanos

Após anúncio de retomada das relações entre Washington e Havana, número de turistas dos EUA que vão à ilha aumentou 54% 

O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 12h58

HAVANA - É cada vez mais comum ver turistas americanos por Havana, atraídos pelos carros antigos que ainda circulam pelas ruas e pelas edificações anteriores à Revolução Cubana, o que torna a viagem à ilha uma autêntica "viagem no tempo", depois de mais de meio século de proibição.

Chegar a Cuba significa "entrar no túnel do tempo", garantem turistas dos EUA que cada vez mais viajam à ilha desde a histórica retomada de relações diplomáticas entre Havana e Washington, anunciada em dezembro de 2014. "Cuba é como uma cápsula do tempo, parou mais ou menos em 1959", disse Chris Bellend, um empresário de Key West, na Flórida, enquanto se protegia do sol com um boné do Industriales, time de beisebol de Havana e lembrança de sua última visita à capital cubana, há oito anos.

Bellend explicou por que tantos americanos querem visitar a ilha: a curiosidade "de ver o que mudou em 50 anos ou mais". Segundo o americano, muitos se maravilham pela viagem nostálgica ao passado que começa assim que descem do avião. "Vimos muito mais restauração em Havana Velha, mais turistas internacionais do que quando viemos em 2007, mais oportunidades e mais lugares para se hospedar. Estamos aproveitando muito", elogiou, impressionado com a música e a comida cubanas.

Daniel French, representante de uma empresa operadora americana de charter, confirmou que a flexibilização das restrições para viajar a Cuba, em vigor desde o final de janeiro, aumentou as visitas de americanos. Dados oficiais apontam para uma alta de 54% em relação ao primeiro semestre de 2014.

"Chegar à ilha, para eles, é como passar pelo túnel do tempo, falam dos carros que seus avôs tinham, que seus pais tinham, onde beijaram sua primeira namorada, e vir aqui é reviver tudo isso", explicou o operador, com mais de 20 anos de experiência trazendo americanos ao país caribenho.

French afirmou que Cuba sempre foi "a fruta proibida" para os EUA e advertiu que os americanos "querem vir antes que abram McDonald's e venham as grandes construtoras". 

"Ver como tudo era antes da grande invasão" foi o que mobilizou o professor de espanhol da Califórnia Nelson Rojas a percorrer toda a ilha, onde tirou fotos de carros da década de 50 para reviver as lembranças de um que seu pai tinha "há muitos anos". "É possível notar a nostalgia, mas vemos também a mudança que acontece aqui. Cuba é atraente para o turista americano, mas acho que ainda há muito a fazer", disse Rojas, de ascendência filipina, enquanto percorria a famosa Praça da Catedral, no coração do Centro Histórico de Havana.

Apesar da flexibilização das viagens implementada pelo presidente Barack Obama e o restabelecimento formal das relações bilaterais em 20 de julho com a reabertura de embaixadas nas capitais, os EUA ainda restrigem as viagens de seus cidadãos à ilha e exigem licenças especiais.

Natural da cidade de Detroit, Carol Ann Patrick quis conhecer Cuba porque estava atrás "da cortina de ferro", e com essa viagem ela quis "levantar essa cortina". "O presidente Obama nos pediu que déssemos uma oportunidade à paz e aqui estamos. Não sei quais serão as mudanças, mas estou muito contente de ver o que havia antes e continuarei a vir para ver o que haverá depois", afirmou Carol, acompanhada por um grupo de 30 viajantes dos estados de Califórnia, Nevada e Michigan. /EFE

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