Vítima de distrofia pede legalização da eutanásia na Itália

Um apelo feito ao presidente da Itália, Giorgio Napolitano, por um homem que não consegue mais andar, respirar ou comer por conta própria desencadeou um debate sobre eutanásia no país, de maioria católica. Na semana passada, Piergiorgio Welby pediu a Napolitano que ajudasse na legalização da prática, para que possa requisitá-la.Napolitano, respondendo em uma carta que foi divulgada no sábado, se disse comovido pelo apelo, e declarou esperar que um debate sobre a questão tivesse início, porque "a única postura injustificada seria o silêncio".Confinado à cama, Welby, de 60 anos, está ligado a um respirador e se comunica por meio de um sintetizador de voz. Ele recebeu o diagnóstico de distrofia muscular quando era adolescente. Aos 33 anos, passou a depender de uma cadeira de rodas. Pelos últimos três meses, respira artificialmente e é alimentado por um tubo.Na Itália, onde a Igreja Católica tem forte influência política, a eutanásia é ilegal. O Vaticano insiste que a vida deve ser protegida até seu fim "natural".Um líder da oposição Democrata-Cristã ao governo, Rocco Buttiglione, disse que "não é verdade" que existe silêncio sobre a matéria: "A lei italiana diz que eutanásia é proibida". Ele propõe uma melhora nos cuidados paliativos para os doentes. "Quando alguém se desespera e pede a morte, tentaremos ajudá-lo e reencontrar a esperança".

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