Vítima de Ohio teve o rosto desfigurado

Michelle Knight é a única das três reféns de Ariel Castro que ainda não voltou para casa

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2013 | 02h01

Entre as três mulheres e a criança libertadas do cativeiro em Cleveland, na segunda-feira, Michelle Knight é a única ainda internada e com receio de reencontrar-se com a mãe e a avó. Sequestrada havia 13 anos pelo músico e motorista Ariel Castro, ela teve seu rosto desfigurado, perdeu a audição e sofreu cinco abortos em razão das sucessivas agressões e da fome.

"Ela não quer ser vista pela família", disse a avó, Deborah Knight. Ao relatar a situação da neta, ela informou que Michelle deverá ser submetida a uma cirurgia de reconstrução facial. O sofrimento imposto por Castro às suas vítimas foi qualificado ontem como "um horrível calvário" pelo assistente do promotor do Condado de Cuyahoga, Brian Murphy.

O relatório policial diz que todas as vítimas foram atraídas por ele com um convite de carona, na mesma Avenida Lorain, a 1,5 km do cativeiro. Castro era conhecido na vizinhança e, para Michelle, ele era o pai de sua amiga Arlene. Foi com a desculpa de levá-la para encontrar-se com Arlene que ele a sequestrou.

Michelle foi a primeira vítima de Castro, raptada em 2000. No mesmo calabouço localizado no porão úmido e fétido da casa número 2.207 da Avenida Seymour, ele prendeu Amanda Berry, sequestrada em 2003, e Georgina DeJesus, no ano seguinte. Todas eram adolescentes. Foram mantidas por longos períodos acorrentadas ou presas com cordas no local e submetidas a fome, a condições insalubres e a sucessivos estupros.

O relatório policial foi escrito com base em depoimentos das vítimas e das conclusões preliminares da perícia. Michelle relatou seus cinco abortos, todos provocados pela fome e pelos golpes no abdome desferidos por Castro.

Amanda deu à luz seu bebê - provavelmente também filha de Castro - dentro de uma piscina de plástico, no Natal de 2006. Michelle a ajudou no parto, mas foi ameaçada de morte pelo sequestrador caso a criança não sobrevivesse. Como o bebê parou de respirar, ela fez respiração boca a boca e o salvou.

Todas as mulheres sequestradas disseram à polícia que tinham saído da casa em apenas duas ocasiões, quando, disfarçadas com perucas e chapéus, foram levadas para uma garagem.

Pena de morte. Castro apresentou-se ontem ao Tribunal Municipal de Cleveland com a cabeça baixa, sem olhar para as câmeras, mas ciente de já ter sido indiciado pelo sequestro de Michelle, Georgina, Amanda e sua filha e também pelo estupro das três.

O promotor do Condado de Cuyahoga, Timothy McGinty, afirmou que vai acrescentar acusações de homicídios relativas aos cinco bebês abortados e fazê-lo enfrentar a Justiça em consequência de cada um de seus crimes sexuais.

"A lei do Estado de Ohio prevê pena de morte para os criminosos mais depravados que cometeram homicídio durante sequestro", afirmou McGinty.

Na primeira sessão, a juíza Lauren Moore impôs a Castro uma fiança de US$ 8 milhões - US$ 3 milhões acima do exigido pelos promotores. Nos seus cálculos, ela atribuiu US$ 2 milhões por vítima. Com 10% do valor pago - US$ 800 mil -, ele poderia responder ao processo em liberdade. "O homem não tem dinheiro nenhum", disse Kathleen DeMetz, advogada apontada pelo tribunal para defendê-lo.

De acordo com a advogada, ele perdeu o emprego de motorista de ônibus escolar em novembro e ainda não tinha encontrado outro trabalho até ser preso, no dia 6, quando Amanda conseguiu escapar com a ajuda de um vizinho e chamar a polícia para libertar as outras mulheres.

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