Vítimas da "síndrome da classe turística" acusam empresas

As vítimas da chamada "síndrome da classe turística" (a trombose) compareceram ao Alto Tribunal de Londres para denunciar 28 grandes companhias aéreas, acusando-as de favorecer a formação de coágulos nas pernas dos passageiros, em razão do pouco espaço para o movimento entre as poltronas.Esses coágulos podem se soltar na circulação e, ao parar no pulmão, no coração ou no cérebro, obstruem o fluxo sangüíneo e podem levar à morte. Entre as companhias denunciadas estão a British Airlines, a KLM e a American Airlines.O grupo, composto de 56 sobreviventes e parentes de pessoas que morreram por causa dessa síndrome, reivindicam indenizações que somam milhões de euros e acusam as companhias de não alertar os passageiros sobre o risco de sofrer uma trombose.Se perderem a causa, as empresas, que entraram em crise depois do 11 de setembro, sofrerão outro duro golpe.As petições serão discutidas durante três dias. O debate decidirá se elas se transformarão em processo judicial. O centro da discussão será a interpretação de um tratado internacional de aviação, a Convenção de Varsóvia, de 1929, segundo o qual as companhias aéreas são responsáveis pelos danos só se ocorrer um acidente enquanto o passageiro estiver a bordo.As empresas acusadas alegam que a trombose não é um acidente, mas uma doença. "Trata-se de um transtorno que afeta muita gente com fatores de risco, entre eles a inatividade", disse Sean Gates, advogado das empresas. Outros fatores são o sobrepeso, a desidratação e o consumo de pílulas anticoncepcionais.Se a tentativa de levar as empresas a juízo fracassar, as vítimas têm intenção de recorrer às leis internacionais de direitos humanos.A British Airways já avisou que não pagará indenizações pelo motivo alegado, e lembrou que uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde britânico, há um ano, concluiu que a relação de causa e efeito entre os vôos de longa duração e a trombose não é segura.Já um estudo publicado em maio de 2001 na revista médica The Lancet dava conta de que um em cada dez passageiros sofre uma trombose após ter viajado durante mais de oito horas.

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