Abdi Ibrahim / AP
Abdi Ibrahim / AP

Vítimas de massacre na Nova Zelândia tinham de 3 a 77 anos

Mucad Ibrahim, de 3 anos, se desencontrou do pai e do irmão durante a correria na mesquita de Al-Noor e não sobreviveu

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2019 | 18h09

CHRISTCHURCH, NOVA ZELÂNDIA - Mucad Ibrahim usava meias brancas, do tipo que são equipadas com detalhes que impedem as crianças de escorregarem, quando foi carregado para fora da mesquita de Al-Noor. Os sapatos do menino ainda estavam na entrada do local, onde ele os deixou quando chegou para rezar com seu pai e seu irmão mais velho. Mucad tinha apenas 3 anos e foi a vítima mais nova do massacre cometido pelo australiano Brenton Tarrant, que deixou 50 mortos em Christchurch, na Nova Zelândia, na sexta-feira 15.

Mucad nasceu na Nova Zelândia em uma família oriunda da Somália que havia fugido do país há mais de 20 anos. Ele era uma criança “com muita energia, que brincava bastante e sorridente”, descreve seu irmão Abdi. “Sentiremos sua falta.”

A família e os amigos não se conformam com o ataque. “Ele (Mucad) poderia crescer e se tornar um médico ou um primeiro-ministro”, disse Mohamud Hassan, de 21 anos, membro da comunidade somali local, que conta com cerca de 60 famílias.

Quando o atirador começou os disparos na mesquita, Mucad, o pai e o irmão correram em direções diferentes.

O pequeno Abdullahi Dirie, de 4 anos, foi o único dos cinco filhos de Adan Ibrahin Dirie que não sobreviveu ao massacre. A família fugiu da Somália na década de 1990 como refugiados e reconstruíram a vida na Nova Zelândia.

Neste domingo, 17, alguns corpos começaram a ser devolvidos às famílias. Uma lista, ainda provisória, mostra que as vítimas tinham entre 3 e 77 anos e que pelo menos quatro eram mulheres.

O governo do Paquistão confirmou a morte de nove paquistaneses no massacre e anunciou que homenageará uma de suas vítimas. Um vídeo do ataque mostra um homem sendo morto ao se aproximar do atirador, enquanto outros fogem. Ele seria Naeem Rashid, cujo filho também morreu no atentado.

"O Paquistão está orgulhoso de Mian Naeem Rashid que foi morto quando tentou se lançar sobre o terrorista supremacista branco, e a sua coragem será honrada com uma condecoração nacional", disse o primeiro-ministro Imran Khan no Twitter.

Os corpos de várias vítimas ainda permanecem dentro das mesquitas para serem identificados, enquanto as famílias esperam para iniciar os rituais funerários muçulmanos. Segundo as autoridades locais, 34 pessoas permanecem hospitalizadas. / W.Post e Reuters

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.