AFP PHOTO / RONALDO SCHEMIDT
AFP PHOTO / RONALDO SCHEMIDT

Sobe para 90 o número de mortos em terremoto no México

Autoridades mexicanas se concentravam em restabelecer os suprimentos de água, alimentos e remédios para as vítimas

O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2017 | 12h04
Atualizado 10 Setembro 2017 | 22h29

CIDADE DO MÉXICO - O número de mortos em razão do terremoto de quinta-feira no México aumentou ontem de 65 para 90. O governador de Oaxaca, Alejandro Murat, informou que foram registradas 71 mortes somente no Estado. O Serviço Sismológico Nacional (SSN) mexicano indicou que até a noite de ontem foram registradas 928 réplicas do tremor de 8,2 graus na escala Richter.

“Em reunião de avaliação, o governador Alejandro Murat informa que o número de mortos no terremoto aumentou para 71”, informou a Secretaria de Proteção Civil de Oaxaca em mensagem divulgada ontem pelo do Twitter.

A secretária de Desenvolvimento Urbano, Rosario Robles, declarou, no entanto, que “ainda é preciso confirmar cada um dos casos e a Defesa Civil nacional ainda não havia feito uma contagem oficial. Além das vítimas em Oaxaca, oficialmente, pelo menos 15 pessoas morreram no Estado vizinho de Chiapas, enquanto outras 4 mortes foram confirmadas no Estado de Tabasco.

Medo constante

Os trabalhos das equipes de resgate e de auxílio aceleraram ontem suas operações em comunidades de difícil acesso no sul do México. Amplas zonas estão localizadas em terrenos acidentados, onde vivem pequenas comunidades que costumam ficar isoladas quando ocorrem terremotos ou tempestades.

Em Chiapas, um dos Estados mais pobres do país, 1,5 milhão de pessoas estão desabrigadas. Das 122 cidades do Estado, todas sofreram estragos, sendo que 82 municípios concentram os prejuízos mais significativos.

Em Juchitán, cidade de 100 mil habitantes em Oaxaca, convertida em epicentro da tragédia, com 37 mortes confirmadas, a população teve ontem outra madrugada de terror com as réplicas constantes do terremoto.

Um dos poucos hotéis que pareciam ter resistido ao terremoto de quinta-feira sofreu com uma réplica de 5,6 graus. Os poucos hóspedes correram para a rua e, depois, tiveram de abandonar o local em razão do risco de desabamento.

Na pequena praça da Igreja de Martes Santo, várias famílias dormiram na rua, temendo voltar para suas casas. As pessoas evitam os albergues, porque temem ser assaltadas.

Em uma chuvosa manhã, mulheres se organizaram ontem para cozinhar na rua, enquanto homens e crianças trabalhavam retirando escombros de suas casas: blocos de concreto, vigas de madeira, janelas e telhas destruídas. “Seguimos sem água e sem luz, dormimos com as crianças na rua e ninguém veio nos ajudar”, disse María de los Angeles Orozco.

Nas ruas de Juchitán, começaram ontem os primeiros cortejos fúnebres, sob o som de bandas, como é o costume da cidade, habitada principalmente por indígenas da etnia zapoteca.

Entre as vítimas está Manuela Villalobos, de 85 anos, que morreu com a queda do telhado de sua casa enquanto dormia. “Era uma mulher muito forte, cuidava para que as novas gerações conhecessem as tradições de zapotecas,”, lembrou um de seus netos, Cristian Juarez, de 46 anos. / AFP, EFE e REUTERS

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