Vítimas descrevem dois dias de pânico em Mumbai

Relatos de sobreviventes revelam como terroristas caçaram turistas em dois hotéis e um café

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

A americana Carol Mackoff estava hospedada no Hotel Taj Mahal - um dos principais alvos dos terroristas em Mumbai - onde planejava passar três semanas na companhia do marido, da irmã e de uma amiga."No começo, ouvimos tiros e não sabíamos o que estava acontecendo", disse ela. "Pelo olho mágico, vimos homens armados passando no corredor."Os terroristas tocaram duas vezes a campainha de seu quarto, mas Carol diz que "fechou todas as trancas possíveis e colocou as malas contra a porta". A barricada improvisada serviria como abrigo por 40 horas, tempo em que ela consumiu apenas as bolachas, barras de cereais e chocolates do minibar, além de um punhado de castanhas trazidas de casa.Carol conseguiu avisar o consulado americano sobre sua situação, enviando mensagens de texto. Em seguida, recebeu uma resposta indicando o momento exato em que os militares indianos tentariam o resgate. "O coronel nos deu uma senha e disse: ?se batermos em sua porta e dissermos essa senha, vocês virão conosco, em silêncio.? E foi exatamente o que aconteceu."No Hotel Trident Oberoi, a poucas quadras dali, o empresário inglês Mark Abell passou pela mesma situação. "Houve uma carnificina na recepção, com sangue por toda a parte", lembrou. "O final da noite começou a ficar mais tranqüilo e comuniquei-me pelo celular com outras pessoas que estavam na mesma situação. Aos poucos, fomos entendendo que seríamos resgatados", disse Abell.No mesmo hotel, foi morto o empresário britânico Andreas Liveras. Ele tinha ido ao Oberoi para jantar, quando ouviu disparos no corredor. Ele se escondeu atrás da mesa, mas acabou sendo levado por homens armados para recepção, onde foi executado juntamente com outras pessoas que gritavam desesperadas.No Café Leopold - tradicional ponto de turistas ocidentais - pelo menos dois americanos, Alan Scherr e sua filha, Naomi, de 13 anos, foram mortos. Eles voltariam para os Estados Unidos na segunda-feira com um grupo de 25 pessoas que havia viajado para a Índia para meditar. Scherr fazia parte, havia 12 anos, de um grupo de meditação da Virgínia chamado Sincronia. O grupo publicou um comunicado dizendo que ele "inspirou muitas pessoas a começar uma jornada de autoconhecimento e meditação".Na mesma cafeteria em que Scherr e sua filha foram mortos, o britânico Hanesh Patel conseguiu escapar com vida depois de ser alvejado em ambas as pernas. Ele contou que homens armados disparavam em todas as direções, paravam, e voltavam a disparar. "Foi quando eles se dirigiram a um dos cantos do bar e viram a mim e a outras pessoas, de costas. Eles simplesmente abriram fogo contra nós", disse Patel."As pessoas tentavam fugir dos disparos", disse o irlandês James Conaty, que também estava na cafeteria no momento do ataque. "Não havia mais nada a fazer a não ser se esconder."

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