Vítimas do 'domingo sangrento' serão indenizadas

A Grã-Bretanha informou nesta quinta-feira que vai indenizar financeiramente as famílias de pessoas mortas e feridas no domingo sangrento, massacre ocorrido quase 40 anos atrás por paraquedistas britânicos na Irlanda do Norte, que alimentou o apoio dos católicos ao Exército Republicano Irlandês (IRA).

AE, Agência Estado

22 Setembro 2011 | 13h21

Treze pessoas morreram e 14 ficaram feridas no dia 30 de janeiro de 1972, em Londonderry, quando soldados abriram fogo contra uma multidão de católicos que realizavam uma manifestação contra a prisão, sem julgamento, de suspeitos de pertencerem ao IRA.

A Grã-Bretanha irritou a comunidade local ao afirmar que os soldados, nenhum dos quais ficou ferido, responderam aos ataques do IRA e que atiraram em homens armados.

No ano passado, o primeiro-ministro britânico David Cameron pediu desculpas depois de uma investigação que durou 12 anos ter mostrado que os soldados não foram atacados e dispararam sem justificativa contra civis desarmados, muitos dos quais estavam fugindo ou ajudando feridos.

O Ministério da Defesa britânico confirmou nesta quinta-feira que escreveu aos advogados que representam as famílias das vítimas de Londonderry para estabelecer os termos para as indenizações, mas não divulgou detalhes sobre os pagamentos.

"Nós reconhecemos a dor sentida por essas famílias por quase 40 anos e que os membros das Forças Armadas agiram de forma incorreta. O governo sente profundamente", disse o Ministério em comunicado.

Peter Madden, um advogado de Belfast que representa muitas das famílias das vítimas, disse que as negociações serão iniciadas em breve com o governo britânico para estabelecer uma indenização, tanto para as vidas perdidas quando para os mutilados, além dos danos causados à reputação das vítimas pelas "vergonhosas acusações" de que seriam integrantes do IRA.

Mas algumas famílias rejeitaram qualquer oferta de compensação financeira, destacando que querem que os soldados que abriram fogo sejam processados, já que ninguém foi indiciado pelas 13 mortes. As informações são da Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.