Vitória avassaladora de Blair causa renúncia de conservador

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, governará por um segundo mandato depois de vencer as eleições de ontem por uma margem tão avassaladora que levou à renúncia do líder da oposição, William Hague. Blair e seu Partido Trabalhista obtiveram sua segunda vitória consecutiva. As eleições registraram a mais alta abstenção dos últimos anos. O primeiro-ministro apareceu com sua família na entrada de sua residência, em Londres, onde agradeceu o apoio dos eleitores e reconheceu o esforço do líder conservador. "Ele mostrou uma flexibilidade e um estoicismo extraordinários em circunstâncias muito difíceis... Desejo-lhe sorte", afirmou Blair. Mais cedo, o premier, de 48 anos, afirmou que o Partido Trabalhista tinha feito história. "O Partido Trabalhista, pela primeira vez em seus 100 anos de história, cumprirá um segundo período completo consecutivo no governo", disse a seus simpatizantes em seu distrito de origem, no norte da Inglaterra. Apesar de dois primeiros-ministros trabalhistas terem vencido eleições consecutivas, nenhum cumpriu dois períodos completos. Antes de falar com jornalistas em frente à sua casa, Blair e a mulher, Cherie, foram ao Palácio de Buckingham, onde visitaram a rainha Elizabeth II, obedecendo ao protocolo pós-eleitoral. Pouco depois de os trabalhistas assegurarem as 330 cadeiras necessárias para contar com maioria simples na Câmara dos Comuns, de 659 lugares, o líder do Partido Conservador, William Hague, telefonou para Blair para felicitá-lo. Horas depois, Hague, que teve uma difícil campanha diante da popularidade dos trabalhistas, anunciou sua renúncia como líder de seu partido. "É vital que os líderes escutem e os partidos mudem", disse Hague em Londres. "Decidi renunciar como líder do Partido Conservador para que seja eleito meu sucessor". Hague, de 40 anos, havia centralizado grande parte de sua campanha fracassada na oposição ao euro, a moeda comum européia. Os trabalhistas, por sua vez, prometeram realizar um referendo sobre o assunto. Uma queda na libra esterlina para seu nível mais baixo em 15 anos diante do dólar, nesta semana, foi vista como reflexo da preocupação sobre a eventual adoção do euro na Grã-Bretanha. Minutos depois do anúncio da renúncia de Hague, a libra caiu outros 0,015 cents e esteve oscilando entre US$ 1, 3790 e US$ 1,3804, seus níveis mais baixos em 15 anos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.