Vitória da pressão venezuelana

EUA acusam Caracas de intimidar Aruba para obter a libertação de seu ex-chefe de inteligência

Daniel Lansberg-Rodríguez, Foreign Policy/O Estado de S.Paulo

31 Julho 2014 | 02h03

Os chavistas estiveram perto de perder Hugo "El Pollo"Carvajal, que foi chefe de inteligência de Hugo Chávez entre 2004 e 2009. Na semana passada, ele foi preso pelas autoridades de Aruba que atendiam a uma ordem de prisão emitida pelos EUA. Dias mais tarde, Carvajal foi solto numa confusa série de eventos.

Em janeiro, o general foi premiado com um posto confortável no consulado venezuelano em Aruba. Mas, ao chegar à ilha, Carvajal foi preso, a pedido de Washington. Em 2008, Carvajal foi acusado pelos EUA de ajudar rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Se Aruba extraditasse Carvajal para os EUA, ele poderia dar informações comprometedoras sobre o regime chavista. Carvajal foi diretor da inteligência em um período crítico no qual os vínculos com a espionagem de Cuba se estreitaram e as perseguições aos adversários políticos do regime tornaram-se abertas.

Diante da perspectiva de ver revelados os segredos do partido, a Venezuela declarou que a detenção de Carvajal violava sua imunidade diplomática. Depois que Carvajal voltou à Venezuela, os EUA se queixaram de que Caracas intimidara Aruba. A Venezuela tinha cancelado todos seus voos para Aruba, um gesto de consideráveis consequências, já que a economia de Aruba tem o turismo como base e os venezuelanos representam o segundo maior contingente de visitantes.

O procurador-geral de Aruba, Peter Blanken, afirmou que a Venezuela ameaçara retirar seus executivos e transferir as operações de exportação para uma refinaria petrolífera nas Antilhas. Mas a Holanda desmentiu as informações. O opositor Diego Arria, ex-prefeito de Caracas e ex-candidato à presidência, sugeriu que foram as estreitas relações comerciais entre a Dutch Shell e a PDVSA que levaram a Holanda a passar por cima das autoridades de seu território autônomo. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.