Vitória de aliado no Chaco fortalece Cristina

Kirchnerismo consolida domínio político em uma das regiões mais pobres da Argentina a um mês da eleição presidencial

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2011 | 06h08

"Este triunfo é seu, Cristina!" Assim, o governador da Província do Chaco, Jorge Capitanich, agradeceu o apoio da presidente argentina, Cristina Kirchner, na campanha eleitoral que o levou à reeleição. Ele obteve 66,5% dos votos e celebrou sua vitória ao lado de representantes do governo federal, como os ministros da Economia, Amado Boudou, do Interior, Florêncio Randazzo e do diretor da Previdência Social, Diego Bossio.

Capitanich repetiu o sucesso dos governadores kirchneristas do empobrecido norte da Argentina nas eleições deste ano. Maurice Closs, de Misiones, e José Alperovich, de Tucumán, também foram reeleitos, com 70% dos votos.

Capitanich - um dos mais fiéis aliados do governo - também dedicou a vitória a "um amigo que nos olha desde o céu", em referência ao ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu em outubro. As alusões ao ex-presidente tornaram-se frequentes na campanha eleitoral.

Motivos para o agradecimento existem de sobra, já que Chaco, província com um índice oficial de pobreza de 23% (e um extraoficial de 40%), sobrevive graças às verbas enviadas pelo governo federal. Do total dos recursos utilizados, apenas 9% correspondem ao orçamento próprio da província.

Capitanich ocupou cargos em vários governos peronistas. Foi secretário de Carlos Menem, nos anos 90, e ministro dos ex-presidentes Adolfo Rodríguez Saá e Eduardo Duhalde, na virada do século, além de homem de confiança dos Kirchners no Senado.

Até junho, era cotado para ser vice na chapa de Cristina. Ele também está na lista dos presidenciáveis em uma hipotética sucessão da presidente, em 2015. De quebra, é sempre mencionado para ocupar alguma pasta ministerial quando ocorrem mudanças no gabinete.

Reta final. Essa é a penúltima de uma série de votações para governadores provinciais, que começou em março e está fora de sincronia com as próximas eleições presidenciais, parlamentares e provinciais do dia 23 de outubro.

Nos últimos meses, metade das províncias elegeu governadores. Ainda falta a outra metade. No domingo, será a vez da Província de Rio Negro escolher nas urnas seu governador.

Nas eleições presidenciais, Cristina é favorita para vencer no primeiro turno. Nas primárias de agosto, ela obteve 52% dos votos. Na ocasião, o candidato da oposição mais bem colocado foi Ricardo Alfonsín, da União Cívica Radical, com 12,2%.

Desde as primárias, poucas pesquisas de opinião sobre a sucessão presidencial foram feitas na Argentina. Os poucos levantamentos realizados nas últimas semanas indicam que Cristina seria reeleita com um apoio expressivo: entre 52% a 55% dos votos.

A sequência de escândalos de corrupção que envolve o governo Kirchner, aparentemente, não afetou a capacidade de captação de votos da presidente. "As pessoas não dão bola para a corrupção, tal como ocorreu na reeleição de Carlos Menem, em 1995", afirmou ao Estado o economista e ex-secretário de Comércio Raúl Ochoa. "Elas estão pensando apenas na economia e no consumo, que estão crescendo no país."

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