Stephane de Sakutin / AP
Stephane de Sakutin / AP

Vitória de Macron é positiva para agenda econômica do Brasil, avalia governo

Macron na presidência não é garantia de avanço nas negociações entre Mercosul e União Europeia, mas a avaliação é que a agenda econômica estará mais preservada com ele

Lu Aiko Otta / Brasília, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2017 | 19h24

A vitória do candidato de centro, Emmanuel Macron, nas eleições presidenciais da França foi recebida com um certo alívio pelo governo brasileiro. O motivo é, principalmente, pelo contraste que a eventual eleição da candidata de direita, Marine Le Pen, poderia causar no principal tópico das relações do Brasil com a Europa no momento: o fechamento de um acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) até o fim deste ano. 

Macron na presidência não é garantia de avanço nas negociações, mas a avaliação é que a agenda econômica estará mais preservada com ele, já que Le Pen defendeu posições protecionistas ao longo da campanha. A linha ideológica da candidata destoava das ideias defendidas pelo Brasil.

Negociadores dos dois blocos econômicos avaliam que as negociações, que se arrastam há mais de uma década, vivem um bom momento e há espaço para avanço este ano. A expectativa é anunciar um acordo político, com pontos a serem detalhados posteriormente. 

É pouco provável, porém, que a França mude a posição que mantém historicamente nas negociações com o Mercosul. Possuidora de um forte e protegido setor agrícola, o país resiste à abertura de mercado para o agronegócio da América do Sul. Tanto que a oferta apresentada pelo bloco europeu no ano passado, na retomada de diálogo, deixou de fora a carne bovina e o etanol, dois importantes itens da pauta exportadora brasileira. 

Em nota divulgada ontem, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, saudou o resultado das eleições. "A eleição de Emmanuel Macron, por ampla margem de sufrágios, reafirma o apego do povo francês aos valores democráticos com os quais nós brasileiros nos identificamos profundamente", escreveu. "A França hoje vitoriosa é aberta, acolhedora e empenhada em perseverar na construção do projeto europeu."

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