Tannen Maury/Efe
Tannen Maury/Efe

Vitória de Obama deixa investidores dos EUA de olho no abismo fiscal

Presidente terá de lidar com uma Câmara dos Deputados controlada pelos republicanos o que pode dificultar acordos

Reuters,

07 de novembro de 2012 | 09h28

NOVA YORK - Os investidores norte-americanos vão chegar aos pregões na manhã desta quarta-feira, 7, com o mesmo presidente e os mesmos problemas em Washington. Em primeiro lugar, a crise orçamentária iminente que pode provocar problemas à economia dos EUA.

O presidente Barack Obama derrotou o republicano Mitt Romney para conquistar um segundo mandato na Casa Branca, mas ainda terá de lidar com uma Câmara dos Deputados controlada pelos republicanos o que pode tornar difícil um acordo para adiar o "abismo fiscal". "Não será uma mudança imediata para o impasse do governo e a questão do abismo fiscal, e isso será um vento contrário para as ações", disse Michael Yoshikami, diretor executivo e fundador da Destination Wealth Management em Walnut Creek, Califórnia.

O abismo fiscal é um pacote de 600 bilhões de dólares em aumentos de impostos e cortes de gastos automáticos, previsto para entrar em vigor no final de 2012, que pode afetar seriamente o crescimento econômico dos EUA.

Obama deve exigir aumentos de impostos para os ricos, como parte de um acordo para reduzir os gastos para combater o déficit do país. Muitos investidores acreditavam que se Romney fosse eleito presidente teria um tempo maior para as negociações. "O verdadeiro desafio para (Obama) é superar as diferenças com o Congresso e trabalhar para ficar no meio", disse Jason Ader, um ex-analista de Wall Street e partidário de Romney.

Steven Englander, chefe de estratégia de câmbio do G10 do Citigroup, disse que os mercados poderiam entrar em pânico até o fim do ano se parecer que nenhum acordo será fechado para evitar o abismo fiscal. Se isso acontecer, aumentaria a possibilidade de que as principais agências de classificação de crédito cortem o rating da dívida dos EUA.

A Standard & Poor retirou dos EUA a intocada classificação triplo A em 2011 e as agências disseram que vão avaliar negociações orçamentárias e podem tomar medidas no próximo ano.

Os investidores têm tido uma tendência de minimizar problemas em Washington e depois acabam surpreendidos quando os legisladores não conseguem acordo em questões críticas. O mercado reagiu duramente ao impasse em Washington depois do fracasso de uma legislação sobre o setor bancário em 2008 e novamente durante as conversas prolongadas para elevar o teto da dívida dos EUA em 2011.

Whitney Tilson, um gestor de fundos de hedge e um dos poucos gerentes na indústria de 2 trilhões de dólares a publicamente apoiar Obama para um segundo mandato, disse estar otimista que democratas e republicanos vão trabalhar juntos.

"Esta foi uma vitória para os moderados", disse ele. "Espero que ambas as partes reconheçam isso e sigam uma em direção à outra --para o centro-- para resolver os problemas prementes que o nosso país enfrenta".

O fim da campanha eleitoral encerra questionamentos sobre regulação e política monetária --Romney havia dito que iria substituir o chefe do Federal Reserve, Ben Bernanke-- mas alguns investidores permanecem em dúvida sobre impostos e a saúde econômica global.

O investidor bilionário George Soros disse na terça-feira que a reeleição de Obama vai abrir "a porta para políticas mais sensatas". Soros, um dos principais contribuintes para causas democratas, disse em uma troca de email com a Reuters que espera que "os republicanos no poder façam melhores parceiros nos próximos anos."

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.