Vitória do 'não' deve mudar dinâmica do Reino Unido

Os países do Reino Unido vão permanecer juntos. Os eleitores na Escócia rejeitaram a independência num referendo histórico que abalou o país, mas a não separação não significa o retorno do status quo. A decisão de realizar o referendo fez com que o Londres prometesse mais poderes para cada uma das quatro nações do Reino Unido, o que pode mudar a relação entre os países.

Estadão Conteúdo

19 de setembro de 2014 | 12h38

O resultado anunciado nesta sexta-feira impediu a ruptura de uma união de 307 anos da Escócia com a Inglaterra, trazendo um grande alívio para a economia e a política da Grã-Bretanha, e até mesmo para o primeiro-ministro David Cameron, que enfrentou pedidos para sua renúncia caso a Escócia tivesse optado pela independência.

No referendo, que ocorreu na quinta-feira, 55% dos escoceses se manifestaram contra a emancipação do Reino Unido e 45% votaram a favor. "Escolhemos a união", disse o chefe da campanha do "não", Alistair Darling. "Hoje é um dia muito importante para a Escócia e para o Reino Unido como um todo", afirmou.

O apelo apaixonado do líder da independência e primeiro-ministro da Escócia, Alex Salmond, para criar uma nova nação não foi atendido, com os escoceses escolhendo a segurança da união com a Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte. Ainda assim, a campanha pela independência trouxe uma nova energia para o país. "Este referendo foi um triunfo para o processo democrático e para a participação social na política", disse Salmond.

Aliviado com o resultado, o premiê David Cameron se comprometeu a cumprir as promessas de dar mais autonomia para a Escócia nas decisões sobre impostos, gastos e bem-estar. O primeiro-ministro garantiu que os novos planos vão ser acordados até novembro e uma legislação deve ser proposta até janeiro. "Assim como a Escócia vai ter mais poder sobre as suas decisões, o País de Gales, a Inglaterra e a Irlanda do Norte também vão ter mais autonomia", disse.

O resultado salvou Cameron de uma derrota história e também ajudou o chefe da oposição Ed Miliband do Partido Trabalhista. Nas eleições nacionais de 2015, a oposição teria dificuldades para vencer caso não contasse com o apoio dos legisladores do partido da Escócia.

O voto pela independência também impediu que o Reino Unido perdesse uma parte substancial do seu território e das suas reservas de petróleo e evitou que os britânicos tivessem que mudar a base do seu arsenal nuclear, hoje alojado na Escócia. Além disso, com a emancipação escocesa, o Reino Unido poderia perder influência em diversas instituições internacionais, como a União Europeia, Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a Organização das Nações Unidas (ONU).

A decisão significa também que a Grã-Bretanha não irá passar por um período prolongado de instabilidade financeira, que já havia sido previsto caso a Escócia optasse pela separação. Fonte: Associated Press.

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