Lam Yik Fei/The New York Times
Lam Yik Fei/The New York Times

Vitória em eleição distrital fortalece ativistas anti-China em Hong Kong

Candidatos pró-democracia conquistaram 347 das 452 cadeiras na votação vista como um referendo sobre os protestos; um recorde de 71% dos 4,1 milhões de eleitores registrados votaram domingo, bem acima da marca de 40% das eleições de 2015

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2019 | 20h36

HONG KONG - Candidatos pró-democracia obtiveram uma vitória esmagadora nas eleições distritais de Hong Kong, no domingo. O resultado, anunciado nesta segunda-feira, 25, fortalece os protestos pela autonomia do território, envia um recado para o governo da China e aumenta a pressão sobre Carrie Lam, que governa a cidade com apoio chinês. 

O comparecimento às urnas de mais de 70% dos eleitores sugere que a população continuará apoiando o movimento democrático, mesmo diante da repressão dos protestos. Os jovens de Hong Kong, uma força importante por trás das manifestações dos últimos seis meses, tiveram um papel fundamental na eleição distrital.

Os candidatos pró-democracia conquistaram 347 (até então tinham 124) das 452 cadeiras de conselheiros distritais. Os aliados do governo da China conquistaram apenas 60 assentos – os outros 45 conselheiros são independentes. Para muitos ativistas, foi um divisor de águas. “Houve um despertar profundo do povo de Hong Kong”, disse Alan Leong, presidente do Partido Cívico. 

As eleições definiram os novos conselhos distritais, um dos mais baixos cargos eletivos de Hong Kong. Focado em questões comunitárias, o processo de escolha para essas vagas normalmente não atrai muita atenção – e sempre foi dominado por líderes pró-Pequim. No entanto, essa eleição assumiu um significado desproporcional e foi vista como um referendo sobre a agitação que criou a pior crise política do território em décadas. 

Hong Kong vive um constante movimento para manter os resquícios de democracia permitidos pela China – além dos conselheiros distritais, os cidadãos do território também elegem parte dos representantes do Parlamento local. A vitória do fim de semana deve encorajar ainda mais o movimento democrático local.

Os resultados também aprofundam os desafios para o governo da China, que busca conter os distúrbios em Hong Kong e, ao mesmo tempo, teme dar aos moradores mais influência na escolha de seu governo. 

Os conselhos distritais estão entre os órgãos mais democráticos de Hong Kong. Quase todos os assentos são eleitos diretamente, diferentemente do Legislativo, no qual a proporção é de pouco mais da metade. O chefe do Executivo – cargo ocupado por Carrie Lam – também não é escolhido diretamente pelos eleitores, mas por um comitê formado por Pequim. 

O Partido Cívico pediu que o Partido Comunista da China mude suas políticas para Hong Kong. “A menos que o PC esteja fazendo algo concreto para atender às preocupações do povo de Hong Kong, acho que esse movimento não pode parar.”

Regina Ip, integrante do comitê e líder de um partido pró-Pequim, disse ter ficado surpresa em ver tantos eleitores jovens. Alguns, segundo ela, chegaram a confrontá-la com as demandas dos protestos. “Normalmente, os jovens não votam. Mas, desta vez, a oposição conseguiu fazê-los comparecer nas urnas.”

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Antes da eleição, Lam estava preocupada com o fato de a votação ser prejudicada pelo caos dos últimos meses. Alguns dos confrontos mais violentos entre manifestantes e policiais ocorreram na semana passada, transformando duas universidades locais em campos de batalha. A cidade, porém, permaneceu calma no domingo, quando os eleitores saíram em massa para votar. A participação de 71% foi muito maior que os 40% que votaram na eleição distrital de quatro anos atrás. / NYT e REUTERS 

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