Vitória militar no Iraque ´não é possível´, diz Kissinger

O ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger disse neste domingo à BBC que a vitória militar no Iraque "não é possível", apesar de ter advertido que uma retirada precipitada do país poderia ter "conseqüências desastrosas".Em entrevista ao programa Sunday AM da BBC 1, Kissinger sugeriu a realização de uma conferência internacional com os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, os vizinhos do Iraque e as potências regionais, como Paquistão e Índia, para achar uma solução para os problemas na área.Perguntado sobre se é possível vencer militarmente no Iraque, oex-secretário de Estado nas Administrações de Richard Nixon e Gerald Ford respondeu: "Se por vitória militar se entende que um governo iraquiano possa se consolidar e estabelecer sua autoridade em todo o país, controlar a guerra civil e a violência sectária em um período de tempo em que vá ser apoiado pelos processos políticos das democracias, acho que isso não é possível."No entanto, o político conservador não é partidário de umaretirada precipitada das tropas internacionais. "Se forem retiradastodas as tropas sem um acordo internacional e sem sequer uma solução parcial para alguns dos problemas, a guerra civil no Iraque tomará formas ainda mais violentas e alcançará dimensões que provavelmente excederão as que nos levaram a intervir na Iugoslávia com força militar", alertou."Todos os países da área, especialmente aqueles com grandespopulações xiitas, serão, muito provavelmente, desestabilizados",ressaltou. "Uma queda drástica do Iraque, à margem do que pensemossobre como se criou a situação, teria conseqüências desastrosaspelas quais pagaríamos durante anos e que, de uma maneira ou outra,nos obrigariam a voltar à região", prosseguiu.Perguntado sobre se o presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, deveriammudar sua estratégia no país árabe, manifestou que "é precisoredefinir o rumo", embora a alternativa não seja "entre uma vitóriamilitar, como a definida previamente, ou a retirada total".Para Kissinger, a estratégia adequada será uma que proteja osvalores e interesse das potências ocidentais e permita algumprogresso na área, sem seguir "cegamente" uma estratégia cujosobjetivos não foram conseguidos no período de tempo desejado.

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