Vitória na Flórida dá novo impulso a Romney, mas deixa cicatrizes

Grupo de análise mostra que 92% da propaganda política continha ataques aos adversários.

BBC Brasil, BBC

31 de janeiro de 2012 | 23h42

Com a vitória na Flórida, o pré-candidato Mitt Romney ganha impulso e firma sua liderança nas primárias que irão definir o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos. A disputa com o conservador Newt Gingrich, no entanto, deixa fortes cicatrizes na campanha.

Com 67% das urnas apuradas, Rommney já tinha assegurado 47% dos votos, seguido por Gingrich, com 31,6%, Rick Santorum, 13,2% e Ron Paul, 6,9%, na votação desta terça-feira.

Os números favoráveis a Romney escondem uma campanha marcada por ataques pessoais.

Análise do Campaign Media Analysis Group, da Flórida, citada pela rede CNN, mostra que 92% da propaganda política foi negativa, focada na depreciação dos concorrentes.

Segundo o presidente do instituto, Ken Goldstein, citado pelo mesmo veículo, "esta é a campanha mais negativa" da história recente dos Estados Unidos.

Os ataques a Romney focaram a fortuna do ex-governador de Massachusetts, vista com receio em tempos em que boa parte do eleitorado culpa os grandes magnatas pela crise que abala o país.

Já Gingrich foi retratado com um conhecedor de negociatas que sabe se movimentar bem por Washignton, onde já foi presidente da Câmara dos Representantes (equivalente a de deputados).

Declarações da ex-mulher de Gingrich revelando que o congressista da Geórgia lhe teria proposto uma relação aberta também ressoaram na campanha.

Visão negativa

A disputa acirrada já parece ter reflexos no eleitorado americano.

Uma pesquisa do jornal The Washignton Post e da rede ABC mostra que 49% dos americanos possuem uma visão negativa de Romney - apenas 31% têm impressão favorável.

Apesar da derrota, Gringrich já avisou que vai até o fim da disputa, o que pode prolongar as divisões entre moderados e conservadores no partido e favorecer Obama.

O acirramento da campanha chamou a atenção do senador e cacique republicano John McCain, candidato derrotado do partido nas últimas eleições.

McCain disse que os republicanos deveriam estar alvejando a administração de Obama e não si mesmos.

Campanha

A próxima parada dos republicanos é o Estado de Nevada.

Com a vitória na Flórida e em New Hampshire, Romney sai na frente da campanha. Mas sua liderança já foi contestada, nas primárias da Carolina do Sul, vencidas por Gingrich, e nas de Iowa, cujos resultados foram corrigidos, dando a vitória a Santorum.

Santorum e Paul desistiram, nas vésperas da votação, de fazer campanha no Estado, já que segundo as regras da Flórida o vencedor do partido leva a totalidade dos delegados (e não apenas o número correspondente à sua votação) para a convenção nacional que indicará oficialmente o adversário de Obama.

Na campanha da Flórida, a ex-candidata à vice-presidência e ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, reapareceu e deu apoio ao conservador Gingrich.

A disputa entre os republicanos tem sido marcada pela divisão entre os conservadores, liderados por Gingrich e Santorum, que têm o apoio de vários integrantes do movimento Tea Party, e os moderadores, liderados por Romney.

Para muitos republicanos, Romney é liberal demais. O fato do ex-governador de Massachusetts ser mórmon também é um tema considerado por muitos eleitores em um país fortemente influenciado pela religião. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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