Vitória no Iraque não virá sem novos combates, diz Bush

O presidente americano George W. Bush admitiu nesta terça-feira que "mais combates duros" serão travados no Iraque, mas negou que o país esteja a beira de uma guerra civil. "Os iraquianos tiveram uma chance de se deixar levar (para a guerra civil), mas resistiram", disse o presidente durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca. Este foi o segundo maior encontro do ano entre o presidente americano e jornalistas, e pode ser interpretado como mais uma confirmação de que Bush está em campanha para confrontar os que põe em dúvida sua estratégia para o Iraque. Ontem o presidente admitiu que o apoio à política americana para o Iraque está diminuindo, e disse compreender o motivo de tanto desanimo. "Os terroristas não desistiram. Eles têm a cabeça-dura. Eles gostam de matar", disse Bush na coletiva desta terça-feira. "Teremos mais combates duros pela frente", acrescentou. Essas observações têm como objetivo preparar os americanos para um possível acirramento da guerra no Iraque. Mas Bush também aproveitou para dar declarações otimistas sobre a situação econômica dos Estados Unidas. "A produtividade está em alta e a inflação contida. Os assuntos domésticos estão em um momento histórico", disse Bush, atribuindo os resultados às políticas da sua administração. Sobre o Iraque, Bush reagiu às sugestões de que ele pretendia atacar o país desde o início de sua gestão. "Eu não queria a guerra. Supor que eu procurava isso é totalmente errado... Com todo o respeito", ele disse a um repórter. "Nenhum presidente quer a guerra", completou. Apoio em queda Mais de 2,3 mil americanos morreram desde o início da invasão ao Iraque, há exatos três anos. Pesquisas mostram que o apoio público à guerra e a Bush tiveram quedas acentuadas nos últimos meses. Perguntado sobre como vê o declínio do apoio às suas políticas, Bush disse estar tentando reverter esse quadro "conversando de forma realista com o povo" sobre a guerra e sua importância para o país. "Eu entendo as preocupações dos americanos sobre se podemos ou não ganhar essa guerra", ele disse, acrescentando que a maioria dos americanos quer a vitória. O presidente acrescentou que não concorda com o ex-primeiro-ministro iraquiano Ayad Allawi, para quem o país já está em guerra civil. "Se isso não é uma guerra civil, então só Deus sabe o que é uma guerra civil", disse Allawi em uma entrevista à BBC. "Nós todos reconhecemos que há violência sectária. Mas, do meu ponto de vista, os iraquianos olharam a situação e decidiram não começar uma guerra civil", rebateu Bush, que continua confiante na vitória das forças de coalizão. "Eu estou otimista de que iremos vencer. Se não fosse assim, teria retirado nossas tropas de lá." Segundo uma pesquisa recente, mais do que quatro em cada cinco americanos, incluindo 70% dos Republicanos, acham que o Iraque está à beira de uma guerra civil.

Agencia Estado,

21 Março 2006 | 13h43

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.