Jonathan Ernst/Reuters
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Vitórias de Biden pressionam Sanders a desistir e unir partido contra Trump

Ex-vice-presidente americano derrota rival em primárias importantes em três Estados – Flórida, Illinois e Arizona – e obriga senador a reavaliar com assessores se continua ou não na disputa

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 05h00

O ex-vice-presidente americano Joe Biden está cada vez mais próximo de confirmar seu nome como candidato do Partido Democrata que enfrentará Donald Trump em novembro. As recentes derrotas do senador Bernie Sanders – em Arizona, Flórida e Illinois, na noite de terça-feira – aumentaram a pressão para que ele desista da disputa, unifique o partido e anuncie apoio a Biden.

Na quarta-feira, 18, assessores de Sanders disseram que o senador está analisando o futuro de sua candidatura, em uma campanha que parece ter entrado em dormência em razão da pandemia de coronavírus, que provocou o cancelamento de eventos de arrecadação de fundos, comícios e primárias. 

Desde a quarta, o grupo de Sanders parou de anunciar no Facebook e assessores enviaram e-mails para eleitores sem mencionar pedidos de doações financeiras. Estrategistas que trabalham com o senador negaram que a ideia seja suspender a campanha, mas os passos tomados até aqui são os mesmos adotados por outros pré-candidatos que desistiram da disputa. 

“As próximas prévias são daqui a três semanas”, disse Faiz Shakir, chefe de campanha de Sanders. “O senador passará os próximos dias conversando com apoiadores para avaliar os próximos passos. De imediato, porém, posso dizer que ele está focado na resposta do governo ao surto de coronavírus e no objetivo de proteger os trabalhadores, que são os mais vulneráveis.”

Antes de mais um desastre na noite de terça-feira, Sanders vinha dando sinais de que continuaria na corrida presidencial, argumentando que a pandemia apenas reforçava seu projeto político de dar aos americanos um sistema de saúde gratuito e universal.

No entanto, a vantagem de Biden parece cada vez mais impossível de reverter. Na terça-feira, o ex-vice-presidente americano venceu com folga na Flórida (62% a 23%), em Illinois (59% a 36%) e no Arizona (43,5% a 31,5%). A liderança no placar de delegados saltou para quase 300, segundo projeções do New York Times – Biden elegeu 1.180 delegados, Sanders obteve 884. São necessários 1.191 para alcançar a nomeação do partido. 

A próxima primária é de Porto Rico, no dia 29. No dia 4, estão marcadas votações em mais três Estados: Alasca, Wyoming e Havaí. Portanto, de acordo com o calendário, a prévia mais importante agora é apenas no dia 7, em Wisconsin, e no distante 28 de abril, quando votam Nova York, Pensilvânia, Delaware, Connecticut e Rhode Island. 

Muitos analistas dizem que Sanders aposta que os nova-iorquinos, normalmente mais afeitos a suas ideias radicais, seriam a última esperança do senador. O problema é que, de acordo com pesquisas, Biden lidera com boa margem também em Nova York. “Sanders está sendo derrotado por 30, 40 pontos porcentuais”, disse Don Beyer, deputado democrata do Estado de Virgínia. “Acabou. Saber o momento de desistir é difícil, mas é a coisa mais sensata a fazer no momento.”

“Sanders deveria encerrar sua campanha. Biden será o candidato democrata”, afirmou Leslie Marshall, analista de tendência progressista e apresentadora de um programa de rádio. “Está muito evidente que os eleitores preferem a mensagem pragmática de Biden em vez da revolução socialista proposta por Sanders.”

“Sanders não tem saída. Ele deveria sair da disputa”, disse o analista democrata Bakari Sellers. “Deveríamos seguir com a missão mais importante diante de nós: derrotar Trump.” A ex-senadora Claire McCaskill também pediu a mesma coisa. “A questão agora é saber quando e como Sanders tomará a decisão de unir o partido. A pressão agora vai aumentar cada vez mais para que os democratas se unam em torno de Biden". /REUTERS, NYT, WP e AP

 

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