Vitórias de democrata-cristãos abalam Schroeder

O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, está sofrendo: seus candidatos socialistas (SPD) foram friamente derrotados no domingo por seus adversários, os democrata-cristãos (CDU), nas eleições regionais de Hesse e da Baixa Saxônia. Se nos lembrarmos que Schroeder foi reeleito (com dificuldade) para Chancelaria há 100 dias apenas, concordaremos que os reveses de domingo soam lugubremente aos seus ouvidos.Os dois "demolidores" dos socialistas são muito diferentes entre si, mas têm um ponto em comum: ambos são jovens, formam parte de uma geração em ascensão, moderna, agressiva e até agora desconhecida do velho e meio empoeirado Partido Democrata-Cristão.Roland Kock, que domingo foi facilmente reeleito ministro-presidente da "land" de Hesse, tem 44 anos. E o outro vencedor de domingo, Christian Wulff, que assume a presidência da "land" da Baixa Saxônia, tem a mesma idade, 44 anos.Fora isso, suas orientações, embora sejam ambos democrata-cristãos, são divergentes. Roland Koch, líder de Hesse, situa-se claramente à direita. Seu "cavalo de batalha" é a imigração. Koch combate a lei sobre a "dupla nacionalidade" que o atual governo socialista de Schroeder deseja impor. O mesmo Koch já formou em Hesse uma polícia de cidadãos voluntários para apoiar as forças da ordem. É um homem enérgico, às vezes provocador, que se considera fadado às mais altas honras: em primeiro lugar, assumir o lugar de Angela Merkel, atual presidente da CDU e depois, em 2006, por exemplo, tornar-se o chanceler da Alemanha. Afirma-se que ele tem muito talento.O outro vencedor das eleições parciais de domingo, Christian Wulff, eleito na Baixa Saxônia, é mais clássico e menos brilhante: orador meio desbotado, ele não se destaca por posições extremas. Não é considerado um "cérebro", mas sim um homem sério, eficiente, trabalhador.O atual chanceler, o socialista Gerhard Schroeder, sente-se incomodado com tudo isso. Já enfraquecido pela sua deplorável condução da economia alemã - estagnação ou queda da produção - ele assiste agora à erosão de seu poder.Efetivamente, embora Schroeder (e seu Partido Socialista) continue gozando da maioria no Bundestag, em contrapartida está se tornando minoritário na outra Assembléia, a Câmara dos Estados, sem a qual nenhum projeto de lei relacionado com as prerrogativas das Laender (Estados) pode ser votado. Ora, exatamente diversos projetos de lei delicados, inclusive o da naturalização de estrangeiros, estão sendo agora analisados pelo legislativo.Alguns concluem que a oposição, dominada pela CDU, vai atacar e eliminar pouco a pouco os socialistas do poder. Mas Schroeder tem seus recursos: nas recentes eleições legislativas, ele era considerado "derrotado", mas lutou e se restabeleceu. Podemos apostar que ele já se lançou ao trabalho para fazer frente à renovação dos democrata-cristãos.Um homem, no seio do partido socialista, deverá desempenhar um papel decisivo nesta nova batalha que Schroeder vai empreender. Trata-se de Wolfgang Clement, atual ministro do Trabalho e da Economia (ex-ministro-presidente da "land" da Renânia do Norte-Westfália).Schroeder o encarregou de conter o aumento do desemprego (a Alemanha já tem mais de 4 milhões de desempregados).E os métodos de Clement são enérgicos. Esses métodos dão claramente as costas ao famoso "modelo alemão" e se voltam para o lado "liberal". Clement, ministro do Trabalho de Schroeder, não cessa de denunciar os arcaísmos, a rigidez da economia. Pretende reduzir a burocracia.Reformista, ele apavora os socialistas tradicionais. É favorável à empresa, ao lucro, à modernidade.Recentemente, ele sugeriu uma flexibilização do código trabalhista e, sobretudo - um crime imperdoável! -, um abrandamento das condições para a demissão de empregados. Estas propostas não agradam, porém, aos poderosos sindicatos alemães.Isso significa que o caminho oferecido ao chanceler Schroeder, entre uma CDU rejuvenescida, um ministro do Trabalho meio reformista demais e os sindicatos muito pouco reformistas, é uma "via estreita".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.