REUTERS/Nir Elias
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Viúva de dissidente ganhador do Nobel deixa China após oito anos de prisão domiciliar

Liu Xia viajou para a Alemanha após ser presa em seu próprio apartamento mesmo sem acusação formal; punição ocorreu após o marido, Liu Xiaobo, ser condenado pelo governo chinês por 'subversão'

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 05h08

PEQUIM - A poeta e pintora Liu Xia, viúva do dissidente chinês e vencedor do Nobel da Paz Liu Xiaobo, deixou a China após oito anos de prisão domiciliar e embarcou para a Alemanha nesta terça-feira, 10, confirmaram amigos e parentes a agências de notícias internacionais. Apesar de nunca ter sido acusada ou condenada por nenhum crime, Liu foi detida pelas autoridades chinesas em 2010.

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"A minha irmã já deixou Pequim para a Europa para começar uma vida nova", escreveu Liu Hui, irmão de Liu Xia, nas redes sociais. "Obrigado a todos que ajudaram e se preocuparam nos últimos anos. Espero que a vida dela seja tranquila e feliz."

Em nota, o governo chinês confirmou que liberou a viagem da poeta e informou apenas ela busca tratamento médico em Berlim. No entanto, a soltura de Liu ocorre no mesmo momento em que o primeiro-ministro Li Keqiang visita a Alemanha, país que anunciou em maio que receberia a poeta após a divulgação de um vídeo no qual ela chorava e dizia que perdeu as esperanças de liberdade.

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Liu Xia, de 56 anos, estava em prisão domiciliar em seu apartamento em Pequim desde que seu marido, Liu Xiaobo, ganhou o Nobel da Paz em 2010 após ter sido condenado a 11 anos de prisão por "subversão" ao exigir reformas democrática na China. A poeta, no entanto, nunca foi condenada ou processada por nenhum crime. Mesmo assim, o governo chinês instalou seguranças que monitoram a entrada e a saída de pessoas de seu apartamento e restringiu o acesso à internet e ligações telefônicas.

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Em julho do ano passado, Liu Xiaobo morreu aos 61 anos em um hospital no nordeste da China, poucas semanas depois de ter sido colocado em liberdade condicional para tratamento médico. O governo, no entanto, não permitiu que o dissidente deixasse o país para se tratar. Um dia antes da morte do marido, o contato de Liu Xia com seus familiares na Europa foi restringido. O regime publicou fotos dela no funeral do marido, mas não revelou onde ela estava detida.

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O caso virou ponto de discussão sobre direitos humanos no país asiático e envolveu nações ocidentais e ativistas dos direitos humanos nos últimos oito anos. No ano passado, o ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Sigmar Gabriel, exigiu que o governo chinês soltasse a poeta da prisão domiciliar e a enviasse para a Alemanha. "Ela deveria ter a imediata permissão de se mudar para a Alemanha ou qualquer país que quiser", declarou Gabriel à época. A chanceler alemã, Angela Merkel, regularmente se encontra com dissidentes chineses e havia levado o caso de Liu aos oficiais do país. //ASSOCIATED PRESS

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