Reprodução/Youtube/Estadão
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Viúva de Mandela, Graça Machel diz que é preciso questionar desigualdade e racismo estrutural

Graça Machel participou de live nesta terça-feira, 23, realizada pela United Way Brasil; Luciano Huck também participou da transmissão

Tomás Conte, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 14h13

"As desigualdades que vivemos devem ser questionadas profundamente", defendeu a ativista social Graça Machel, viúva do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, em live realizada nesta terça-feira, 23. Em um mundo pós-pandemia do novo coronavírus, Graça, hoje uma das principais ativistas do continente, vê uma oportunidade para abordar desigualdades.

“A reconstrução pós-covid oferece-nos uma oportunidade para nós abordarmos conscientemente e sistematicamente aquelas desigualdades que estão estruturalmente entranhadas em todos os nossos sistemas”, declara Graça. A live, que também contou com a presença do apresentador Luciano Huck, que não conseguiu realizar sua fala completa por problemas técnicos, teve como tema "Desigualdades e pandemia" e foi transmitida pelo Estadão. Através de um post em sua rede social, a United Way Brasil anunciou que a live "vai continuar em outro momento".

Graça Machel citou o caso de George Floyd, o homem negro morto por um policial branco em Minneapolis, nos Estados Unidos, que deflagrou uma série de protestos contra o racismo e a violência policial em dezenas de países. “As pessoas que saíram à rua não eram negros, brancos, índios ou latinos. Eram todas pessoas. Nós vimos ali a força humana a levantar-se contra a injustiça”, afirmou. 

A ativista moçambicana comentou que a pandemia fez com que todos encontrassem dentro de si vulnerabilidades, o que fortaleceu o sentimento de unidade do momento. "Isso também contribuiu, por exemplo, quando se deu um caso flagrante de racismo. As pessoas sentiram: ‘aquela humilhação não é contra um negro, é contra uma pessoa, e porque eu sou humano, vou me colocar na rua, vou exigir a igualdade, o fim da brutalidade, o fim da discriminação racial", disse. 

Durante a sua fala, Graça Machel tratou de diversos tipos de desigualdade, como a de gênero e a entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, dando exemplos de como elas podem ser vistas na sociedade. "As desigualdades devem ser questionadas profundamente e reguladas por uma atitude de afirmação assertiva dos nossos povos", pontua Graça.

Com a pandemia do novo coronavírus, de acordo com a ativista social, as desigualdades vieram à superfície de forma "gritante". "Temos vivido com desigualdades sociais e, de certa maneira, normalizamos, habituamo-nos a essas desigualdades. Vivemos com elas como se fossem naturais, como se fossem parte da vida ou um modelo do qual nós não podemos sair", disse Graça.

Em relação ao continente em que nasceu, a África, Graça cita a suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia do novo coronavírus como um exemplo da desigualdade. “Cerca de 90% dos alunos no continente não têm computador em casa”, destaca a ativista social.

Graça Machel foi ministra da Cultura em Moçambique e hoje é  é líder da organização The Graça Machel Trust e presidente do Conselho de Administração da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul. A live, transmitida pelo Estadão nas redes sociais, foi realizada pela ONG United Way Brasil, com apoio e patrocínio da Lear Corporation e P&G. 

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