Viúvas e crianças são maioria entre os que deixam o Sudão do Sul

Gravidez é a principal causa de morte de mulheres e meninas no país

Adriana Carranca - Enviada especial a Adjumani, Uganda, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2014 | 19h43

Hoje refugiada em um dos campos de Uganda, Elizabeth Ayen, de 35 anos, viu o marido ser morto quando rebeldes nueres invadiram a cidade de Bor, capital do Estado de Jonglei, no Sudão do Sul. Grávida de nove meses na época, ela percorreu 200 quilômetros a pé, junto com seus outros seis filhos. Em Juba, embarcou em um caminhão com outras mulheres e crianças fugindo dos conflitos.

Entre os refugiados que atravessam todos os dias a fronteira para os países vizinhos, 75% são mulheres e crianças. Os homens estão morrendo ou voltam para lutar. “Os rebeldes começaram a matar indiscriminadamente os homens. Meu marido foi um deles. Houve muito medo”, diz Elizabeth, já com uma menina nos braços.

A clínica onde deu à luz, o centro de saúde de Dzaipi, está lotada. A maioria das sul-sudanesas tem filhos em casa, sem ajuda nem mesmo de parteiras. No Sudão do Sul, é a gravidez, e não a guerra, a principal causa de morte entre mulheres e meninas. “Mais mulheres morrem ao ter um bebê no Sudão do Sul do que em qualquer lugar no mundo”, diz a enfermeira Emily Gerardo, da organização Médicos sem Fronteiras. São 2 mil mortes maternas para cada 100 mil partos – o índice considerado aceitável pela ONU é de 35 por 100 mil nascimentos.

As sul-sudanesas têm em média um bebê a cada três anos. O número de crianças que chegam nos campos de refugiados é grande. Amol Kuch, menino de 11 anos, chegou sozinho ao campo de Baratuku, após se perder da família na fuga. Ele foi diagnosticado com malária, que ganha ares de epidemia no centro de Dzaipi.

O período das chuvas começa em abril e deve piorar a condição nos campos, ajudando a espalhar as doenças e dificultando o trânsito de ambulâncias e o acesso de agentes humanitários.

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