Viúvo de Benazir é indicado para a presidência

Zardari anuncia hoje se aceita oferta; aliado na coalizão paquistanesa diz ser contra candidatura

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2008 | 00h00

O principal partido da coalizão governista no Paquistão, o Partido do Povo Paquistanês, propôs ontem a candidatura de seu líder, Asif Ali Zardari, à presidência. Zardari, que assumiu a chefia do PPP após sua mulher, a ex-premiê Benazir Bhutto, ser assassinada em dezembro, é uma polêmica figura no Paquistão. Apesar de a morte de Benazir ter lhe trazido alguma simpatia da população, ele ainda é lembrado pelas acusações de corrupção quando integrou o gabinete nos anos 90.A Comissão Eleitoral anunciou ontem que o Parlamento e as quatro assembléias provinciais elegerão no dia 6 o sucessor de Pervez Musharraf, que renunciou na segunda-feira à presidência - após 9 anos no poder - para evitar um processo de impeachment.A porta-voz do PPP, Sherry Rehman, disse que a candidatura de Zardari foi respaldada por unanimidade e ele anunciará hoje se aceita a proposta.No entanto, o ex-premiê Nawaz Sharif, líder do segundo partido da coalizão governista, a Liga Muçulmana do Paquistão-N, sugeriu que o próximo presidente deveria vir de uma das províncias menores - o Baluchistão e a Fronteira Noroeste. Isso excluiria Zardari, que é da província sulista de Sindh.O PPP vem travando uma luta de poder com o partido de Sharif sobre a reintegração ao cargo de 60 juízes destituídos no ano passado por Musharraf. Sharif ampliou ontem para quarta-feira seu ultimato e reiterou que deixará a coalizão se os juízes não forem restituídos. Mas também concordou com a realização de um debate no Parlamento na próxima semana sobre o caso. Analistas sugerem que Zardari não deseja que o presidente da Corte Suprema, Iftikhar Chaudhry, volte ao cargo, pois poderia anular a anistia dos processos de corrupção que Musharraf garantiu a ele e Benazir no ano passado. Segundo especialistas, mesmo com a saída da Liga-N, o PPP poderia formar uma nova aliança com partidos menores e conquistar apoio suficiente para eleger Zardari.Sharif e Zardari haviam deixado sua antiga rivalidade de lado e se unido contra Musharraf, mas com a saída do presidente agora eles devem reviver suas diferenças, dizem analistas.

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