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Vizinho entregou Anne Frank aos nazistas para proteger família, mostra novo livro

Investigação de ex-agente da FBI aponta para o tabelião holandês Arnold van den Bergh, que morreu de câncer em 1950

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2022 | 17h08

AMSTERDÃ - Uma investigação de um ex-agente do FBI sobre o mistério não resolvido de quem traiu Anne Frank e permitiu que os nazistas encontrassem seu esconderijo apontou um tabelião judeu como o principal suspeito, revela um livro que será lançado nesta terça-feira, 18.

Arnold van den Bergh teria entregado o esconderijo de Anne Frank em Amsterdã para salvar sua própria família dos campos de concentração nazistas, diz a investigação, que durou seis anos e é contada na obra The Betrayal of Anne Frank (A Traição de Anne Frank), da autora canadense Rosemary Sullivan. 

As acusações contra Van den Bergh, que morreu de câncer em 1950, são baseadas em evidências, incluindo uma carta anônima enviada ao pai de Anne, Otto Frank, após a 2ª Guerra, segundo trechos do livro publicados pela imprensa holandesa nesta segunda-feira.

O Museu de Anne Frank informou à Agência France-Presse que a investigação, liderada pelo agente aposentado do FBI Vincent Pankoke, é uma "hipótese fascinante", mas alertou que são necessárias mais investigações.

A adolescente de 15 anos foi presa em 1944 e morreu no ano seguinte no campo de concentração de Bergen-Belsen. Sua história ficou famosa após a publicação póstuma de seu diário, escrito entre 1942 e 1944, quando ela e sua família viviam clandestinamente em um apartamento em Amsterdã.

As teorias sobre como os nazistas chegaram ao esconderijo que a família Frank ocupou por dois anos, até serem descobertos em 4 de agosto de 1944, são abundantes, mas o nome de Van den Bergh não havia recebido muita atenção até então.

"Não temos uma arma fumegante"

A nova investigação foi realizada usando técnicas modernas, incluindo inteligência artificial para analisar grandes quantidades de dados.

Assim, a lista de suspeitos foi reduzida a quatro pessoas, incluindo Van den Bergh, que foi membro fundador do Conselho Judaico, uma organização que os nazistas impuseram aos judeus para organizar deportações.

Os investigadores descobriram que Van den Bergh conseguiu evitar a deportação, mas que essa ordem foi revogada perto da traição que permitiu aos nazistas encontrar a família Frank.

"Não temos uma arma fumegante, mas temos uma arma quente com cápsulas vazias ao redor", disse Pankoke à emissora holandesa NOS.

Por sua vez, Ronald Leopold, diretor da Casa de Anne Frank, alertou que ainda há dúvidas sobre a nota anônima mencionada e que é necessário investigar mais.

"Temos que ter muito cuidado ao colocar alguém na história como a pessoa que traiu Anne Frank, se você não tem 100 ou 200% de certeza disso", disse ele à Agência France-Presse. /AFP

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