Vizinhos tentam boicotar líder xiita iraquiano

Nas semanas que antecederam a cúpula da Liga Árabe, no fim de março, grupos sunitas ligados à Al-Qaeda intensificaram seus ataques contra alvos xiitas para desmoralizar o governo e provocar o cancelamento da reunião - o que significou um revés político para o premiê xiita Nuri al-Maliki, que havia assumido a direção da organização.

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2012 | 03h04

Apesar da violência, o encontro foi realizado em Bagdá, mas sem a presença dos principais chefes de Estado árabes - e sunitas. Para analistas, essa ausência demonstra o "isolamento" do governo xiita, cuja coalizão parlamentar conta ainda com o apoio das facções curdas na região. O xeque Sabah al-Ahmad al-Sabah, emir do Kuwait, foi a única autoridade de primeiro escalão presente na cúpula.

Para o especialista em Oriente Médio do Council on Foreign Relations, Mohamed Bazzi, o caso "mostra ao Iraque que esses Estados do Golfo querem que o governo iraquiano se afaste do Irã". "Eles (os sunitas) estão irritados com a aliança do primeiro-ministro Nuri al-Maliki com o regime iraniano. Não querem que o governo xiita do Iraque seja tão identificado com o Irã. Eles desprezam a influência iraniana no Iraque", disse.

Segundo Bazzi, a dissociação de Teerã "será muito difícil para Maliki, porque o governo iraquiano tem contado muito mais com o Irã do que com que os Estados do Golfo". "O Irã é um parceiro comercial importante. É um motor para a economia iraquiana. Não há muito o que Maliki possa fazer. Não consigo imaginar como ele poderia abandonar sua relação com o Irã."

Em 19 de dezembro, um dia depois de os americanos retirarem suas tropas do Iraque, o vice-presidente Tarik al-Hashemi, sunita iraquiano com mais autoridade no país, teve a prisão decretada. Ele foi acusado de comandar esquadrões da morte responsáveis por execuções de xiitas.

Na segunda-feira, ele foi indiciado por inúmeros assassinatos, entre eles os de seis juízes. Hashemi, que será julgado na quinta-feira, "asilou-se" na região semiautônoma do Curdistão, cujo líder, Massoud Barzani, tem ameaçado retirar seu apoio a Bagdá, denunciando um "terrorismo ideológico" do governo xiita.

Barzani acusa o governo de influenciar as companhias petroleiras a não se instalarem no Curdistão. O cientista político Saad Jawad afirma que, se a ameaça de se concretizar e o bloco curdo retirar seu apoio ao premiê xiita, Maliki pode cair. "O Curdistão sempre foi um problema espinhoso em razão da natureza mista de sua população e da riqueza em petróleo. Essa questão demanda concessões de todas as partes para uma solução", disse. / G.R.

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