Volatilidade e tensão no mercado financeiro em Londres

Corretores do mercado financeiro londrino chegaram hoje mais cedo que o habitual em seus escritórios na City, preparados para enfrentar um dia de muito nervosismo após os eventos de ontem nos Estados Unidos. Não houve pânico, como os mais pessimistas temiam, mas o dia foi marcado por muita volatilidade e tensão, com vários investidores procurando posições defensivas e vendendo papéis ligados ao petróleo, companhias aéreas e de turismo. No final do pregão, Londres acabou registrando uma alta de 134,8 pontos, um pequeno avanço em relação a ontem, mas ainda muito aquém dos níveis anteriores às perdas acumuladas das últimas semanas. No International Petroleum Exchange, os contratos para o petróleo Brent recuaram ligeiramente, após ultrapassar os US$ 30 o barril ontem, logo após as explosões no World Trade Center. Segundo analistas consultados pela Agência Estado, o nervosismo e desorientação devem continuar pelo menos no curto prazo enquanto não houver uma clara definição de qual será a resposta do presidente George Bush aos ataques. "O problema agora mudou de escala, até ontem era econômico, mas agora é geopolítico", disse o diretor do BBCA em Londres, Wilber Colmerauer.Medo em cascataNinguém têm dúvidas sobre uma retaliação norte-americana. Mas o receio é que Bush, ainda inexperiente no comando da nação mais poderosa do planeta, reaja de maneira exagerada, acirrando ainda mais radicalismos no Oriente Médio e aumentando a crise internacional que, por sua vez, colocaria ainda sob maior perigo a frágil situação da economia global. "Estamos todos torcendo que Bush atue com muita calma, serenidade nesse momento", disse um diretor de um banco holandês. "Qualquer exagero, erro no atual estágio poderá ter consequências nefastas para todo o mundo."Os temores de que a economia norte-americana esteja à beira de uma recessão, que já estavam se fortalecendo nas últimas semanas, se tornaram mais evidentes. Na avaliação do mercado, os próximos acontecimentos irão determinar o grau de intensidade do aprofundamento da desaceleração econômica global.Entre os setores que certamente sofrerão prejuízos imediatos, estão as empresas de seguro, companhias aéreas, agências de turismo e hotelaria. Isso sem falar nos bancos atingidos pelos ataques, que sofreram enormes perdas humanas e materiais ontem em Nova Iorque. "Nova Iorque nunca mais será a mesma", disse Colmerauer. "As perdas, o trauma, foram enormes."Como em todas as tragédias, há também os setores beneficiados e, segundo analistas, a indústria armamentista certamente será um deles qualquer que seja a escalada militar promovida pelos Estados Unidos e seus aliados.Em meio a tantas incertezas e perplexidade, o consenso, não só no mercado financeiro, mas também nos meios diplomáticos e acadêmicos, é de que a estrutura geoeconômica mundial sofreu ontem um de seus mais fortes abalos desde a Segunda Guerra Mundial, com efeitos que deverão durar muitos anos.

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