Volta ao Brasil a capixaba que derrubou governador de Nova York

Deportada pelos EUA, onde cumpriu 18 meses de prisão, a cafetina Andréia Schwartz desembarca em São Paulo

Jones Rossi, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2008 | 00h00

A cafetina brasileira Andréia Schwartz, de 33 anos, chegou ontem ao Brasil, deportada dos Estados Unidos, onde cumpriu 18 meses de prisão por exploração da prostituição, posse ilegal de drogas e lavagem de dinheiro. A brasileira, que desembarcou de manhã em São Paulo, foi ainda apontada como testemunha-chave na investigação de outra rede de prostituição. Seus depoimentos às autoridades americanas ajudaram a derrubar na semana retrasada o então governador de Nova York, Eliot Spitzer."Não existia rede de prostituição nenhuma", garantiu Andréia em entrevista à Rede Record. "Eu tinha algum conhecimento de bastante gente que tinha poder no Estado de Nova York. Mas você pode conhecer movie stars (estrelas do cinema), cantores e não significa que você vai estar envolvida com eles em coisa errada." Andréia, no entanto, prometeu novas revelações sobre o caso: "A realidade ninguém sabe ainda. Eu não só vou falar, como tenho algumas provas".Para fugir dos jornalistas que a esperavam na ala de desembarque internacional do Aeroporto Internacional de Cumbica, a brasileira pediu para sair pelo desembarque nacional. O ex-jogador de futebol Pelé, que estava no mesmo vôo 951 da American Airlines, disse ter dormido durante a viagem e por isso não viu a brasileira. Segundo outros passageiros, Andréia embarcou algemada e passou a viagem escondida atrás de grandes óculos escuros e um gorro de lã. Pouco antes da chegada em São Paulo, foi transferida à primeira classe.De acordo com o delegado-chefe da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Cumbica, Marco Antônio Lino, a capixaba foi liberada após preencher sua ficha de deportada, procedimento obrigatório.Andréia reapareceu no aeroporto de Cumbica às 13 horas para, supostamente, embarcar ao Rio de Janeiro e, em seguida, para Vitória, onde era esperada pela mãe Elza, o filho T., de 14 anos, e outros parentes. A viagem, no entanto, foi adiada para as 21 horas, quando Andréia embarcou direto para o Espírito Santo.A chegada de Andréia estava prevista para o dia 15, e ao longo da semana sua viagem foi confirmada e desmentida várias vezes. Segundo o cônsul brasileiro em Nova York, José Alfredo Graça Lima - que visitou Andréia na terça-feira, quando ela ainda estava detida -, os adiamentos ocorreram porque o processo de deportação teria sido ampliado. Em telefonemas a amigos, ela afirmou que ainda estava retida para averiguação nas investigações sobre redes de prostituição nos EUA. Segundo o Post, uma dessas redes é a Emperors VIP Club, que oferecia prostitutas de luxo - que cobravam até US$ 5,5 mil por hora.Andréia, que já tinha trabalhado para a rede, esclareceu o método de pagamento utilizado por Spitzer para remunerar a Emperors VIP Club, comprovando o envolvimento do político democrata com a rede. Segundo autoridades americanas, o ex-governador chegou a gastar US$ 80 mil durante oito meses com os serviços da rede.Diante da possibilidade de ser condenada à prisão perpétua por tráfico de drogas, a brasileira fez um acordo com promotores americanos. Além de colaborar com a investigação do Emperors VIP Club, Andréia teve de abrir mão de seu apartamento - avaliado em US$ 1,2 milhão -, onde mantinha sua agência de prostituição, e de cerca de US$ 30 mil que tinha em sua conta bancária. A capixaba, porém, pôde voltar ao Brasil trazendo cerca de US$ 150 mil. COLABORARAM MARCELO AULER E LAURA DINIZ

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