EFE/ EPA/ Alessandro Di Marco
EFE/ EPA/ Alessandro Di Marco

Volta da vida noturna preocupa políticos na Itália

Medo é de que uma segunda onda da doença possa atrasar plano de reabertura no país

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2020 | 13h50

ROMA - Com a reabertura progressiva no país após a fase mais aguda da pandemia do novo coronavírus, os italianos se reuniram neste fim de semana em praias, bares e praças para comemorar o fim do confinamento. O clima de festa, contudo, tem feito com que muitos descumpram as normas ainda válidas de distanciamento social, o que tem gerado preocupação entre as autoridades.

Na segunda-feira, 25, enquanto as imagens da vida noturna eram exibidas na TV italiana, um grupo de políticos alertou que o país havia se tornado imprudente e se arriscava a retroceder em sua luta contra o coronavírus. "Este fim de semana não foi sereno", disse Giuseppe Sala, prefeito de Milão, em mensagem publicada no Facebook. "Não podemos imaginar outro igual."

A rápida retomada da vida noturna de Milão a Nápoles foi um lembrete de que mesmo países profundamente afetados pelo vírus podem ter dificuldades para limitar a multidão a socializar despreocupadamente.

Milão foi apenas uma das cidades italianas que tentou impor novas restrições, proibindo a venda de bebidas alcoólicas para viagem após às 19h. O prefeito de Pulsano, cidade do sul de Puglia, disse que estava fechando uma praia até o final do mês, como forma de "impedir a invasão do fim de semana passado". "O apelo ao senso comum não funcionou", disse Francesco Lupoli.

No que resultou em um anúncio de serviço público, o governador da região de Veneto, Luca Zaia, compartilhou um vídeo nas redes sociais mostrando imagens de pessoas apertando as mãos, bebendo bebidas com máscaras usadas como colares, antes de cortar a imagem de alguém em uma cama de hospital. "O covid-19 é combatido em hospitais", dizia a mensagem no final, "mas acima de tudo fora".

Desde que seu país virou o epicentro da pandemia, no final de fevereiro, os italianos se comprometeram em seguir as regras, cumprindo um rígido bloqueio que proibia as pessoas de saírem ao ar livre regularmente. Mas o país se moveu rapidamente ao relaxar suas restrições. Muitas fábricas e construções voltaram as atividades em 4 de maio. Praias, restaurantes e bares reabriram em 18 de maio, assim como os Museus.

Quando a Itália começou a sair do confinamento, o primeiro-ministro Giuseppe Conte disse que os próximos meses dependiam do comportamento dos italianos. "Assumimos o risco de uma abertura, mas com todas as precauções", disse ele.

Por enquanto, a Itália não viu nenhuma nova onda do vírus. Mortes, hospitalizações e novos casos caíram substancialmente em relação ao pico no final de março. Assessores do governo e virologistas dizem que levará várias semanas para discernir completamente as consequências da reabertura.

Os italianos continuam proibidos de viajar para outras regiões, embora o governo pretenda suspender essa restrição no início de junho.

Porém, o ministro de assuntos regionais da Itália, Francesco Boccia, sugeriu durante uma entevista que o cronograma fosse reconsiderado - o que seria outro grande golpe para a indústria do turismo no país. Ele disse que uma decisão dependeria do número de novas infecções.

"Não estamos surpresos com o que aconteceu neste fim de semana, mas embora seja compreensível e humano depois de dois meses sem sair de casa, não devemos esquecer que ainda estamos dentro da pandemia e, portanto, aqueles que alimentam a vida noturna estão traindo os sacrifícios feitos por milhões de italianos", afirmou o ministro.

Boccia também apresentou a ideia de recrutar 60.000 voluntários para monitorar as ruas e reforçar o distanciamento social. Mas muitos políticos italianos, tanto na coalizão governista quanto na oposição, chamaram a ideia de problemática ou inviável. Zaia disse que espera que as pessoas que desejam socializar possam simplesmente usar um julgamento melhor.

"Enviar alguém para explicar que você precisa usar uma máscara significa que há um problema cultural", disse Zaia, de acordo com a agência de notícias italiana ANSA./ THE WASHINGTON POST

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