Volta de opositor ao Bahrein pode iniciar novos protestos

Um importante líder da oposição ao governo atual do Bahrein voltou hoje ao país. Hassain Meshaima retornou de seu exílio voluntário em Londres e demandou que os administradores do reino do Golfo cumpram as promessas de reforma política. O retorno de Mushaima, um importante representante dos grupos xiitas, pode marcar o início de uma nova fase do movimento contra o governo de uma nação pequena, porém estrategicamente importante para os EUA. O Bahrein abriga a quinta frota regional norte-americana, um pilar importante de infraestrutura militar para as operações do país ocidental na região.

AE, Agência Estado

26 Fevereiro 2011 | 11h53

Mushaima é o líder do movimento chamado Haq, um grupo considerado de uma linha mais dura do que o principal bloco xiita do país que lidera os protestos na nação do golfo há duas semanas.

Antes de desembarcar no Bahrein, Mushaima fez uma breve passagem pelo Líbano. O líder exilado foi recebido com beijos e abraços por um pequeno grupo no aeroporto de Bahrein. Ele defendeu que o governo dê respostas às exigências dos manifestantes por reformas políticas de abrangência mais ampla.

"O diálogo..não é suficiente. Prometer não é suficiente. Nós temos que ver alguma coisa de concreto", disse Mushaima. "(Os governantes) já fizeram promessas anteriormente, mas não fizeram nada pela nação do Bahrein", comentou.

A oposição no Bahrein está, aparentemente, dividida sobre se exige o fim da monarquia sunita ou se lhe oferece uma chance de permanência no poder em troca da transferência de mais representatividade para o parlamento eleito.

Manifestos

Protestos diários contra o governo do Bahrein eclodiram há duas semanas, como parte de uma onda de descontentamento político que se espalhou pelo mundo árabe. O movimento no Bahrein é liderado pelos xiitas, que respondem por cerca de 70% dos 525 mil habitantes do país. Mas o grupo tem reclamado sistematicamente da discriminação e de outros abusos por parte da dinastia sunita que governa o país há mais de dois séculos.

Neste sábado, milhares de manifestantes marcharam entre a Praça Pérola, uma das rotatórias mais famosas de Manama, capital do Reino do Bahrein, até o escritório do primeiro-ministro, demandando sua renúncia. A multidão cercou três lados do prédio e os poucos policiais que estavam na área não fizeram nenhuma intervenção. Milhares de manifestantes ocuparam a Praça Pérola na sexta-feira para ampliar as pressões em prol de concessões políticas. As informações são da Associated Press.U

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