Volta dos EUA à Unesco é esforço diplomático para atacar Iraque

O anúncio feito pelo presidente George W. Bush de que os Estados Unidos podem voltar a fazer parte da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciências e Cultura) é parte da estratégia norte-americana para obter apoio multilateral a uma eventual ação militar contra o Iraque. Ao dizer que pode voltar a integrar a Unesco, Washington quer dar sinais de uma prova concreta de boa vontade com a ONU e com a comunidade internacional, segundo o Tullo Vigevani, professor de Ciência Política da Unesp e pesquisador do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec).Exceto pelo Reino Unido e Espanha, os EUA não conseguiram apoio internacional necessário para atacar o Iraque. China, Rússia e França, também membros do Conselho de Segurança da Organização, negaram apoio no fim da semana passada. Na avaliação de Vigevani, o discurso de Bush na ONU sinalizou que Estados Unidos querem derrotar Saddam Hussein, mas estão dispostos a esperar a aprovação da ONU. "É muito mais legítimo perante a comunidade internacional e a opinião pública um ataque com respaldo da ONU. É por isso que querem se mostrar multilateralistas voltando para a Unesco", afirmou.Os Estados Unidos deixaram de integrar a Unesco há mais de 20 anos, alegando discordar das posições terceiromundistas da organização. Ao deixar de contribuir, procuraram forçar uma revisão dos debates. Agora, alegam que a revisão de posturas foi feita. Por mais que a volta dos Estados Unidos à Unesco esteja ligada a objetivos de pressão, o fato é que a presença dos Estados Unidos em organizações multilaterais sempre significam mais recursos e mais força política, segundo Vigevani.

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