Voluntários convencem eleitores democratas a ir às urnas no dia 2

Em San Fernando, partido de Obama monta amplo esquema para tentar impedir perda de maioria no Congresso

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2010 | 00h00

Desesperado para atrair seu eleitorado às urnas, o Partido Democrata da Califórnia montou um esquema com voluntários para encorajar seus companheiros de legenda a votar no dia 2. Em San Fernando, maior distrito eleitoral dos Estados Unidos, cerca de cem voluntários - em sua maioria, estudantes do ensino médio - telefonam diariamente para mais de 10 mil democratas da vizinhança. No dia da eleição, esse esquema vai se transformar em uma verdadeira perseguição de democrata a democrata.

Segundo Agi Kessley, presidente do Partido Democrata local, a proposta não é convencer agora os independentes, os indecisos ou mesmo os republicanos a votar nos candidatos de sua legenda. A ideia é persuadir o eleitor democrata a sair de casa ou do trabalho para votar. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório. Só pode cumprir esse dever o cidadão registrado em um dos dois partidos ou como eleitor independente. Como a lista de pessoas que votaram nos democratas na eleição de 2008 é pública, a cobrança partidária torna-se viável.

Até terça-feira, os estudantes já haviam telefonado para 160.167 democratas de San Fernando. Ali, vivem cerca de 2 milhões de eleitores. Os que atenderam positivamente ao chamado serão lembrados no final de semana e no dia da eleição sobre seu dever e ainda encontrarão um cartão pendurado na porta de suas casas com um convite para irem à urna. No dia 2, de hora em hora, voluntários checarão os nomes dos que ainda não compareceram. Estes receberão um novo apelo.

A tarefa começou com os eleitores que, nos pleitos anteriores, votaram antecipadamente pelo correio. Essa é uma regra comum nos EUA, onde os eleitores podem se inscrever para votar em casa e encaminhar as cédulas como uma carta. A eleição antecipada começou no dia 16. "Há duas vezes mais eleitores por correio do que os que vão às urnas. Por isso, começamos o trabalho por eles", afirmou.

Essa votação será crucial para o presidente dos EUA, o democrata Barack Obama. A chamada eleição de meio de mandato funciona, na prática, como um referendo do governo. Nos últimos dias, as pesquisas de intenção de voto indicaram que o Partido Democrata perderá a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados e correrá o risco de o mesmo ocorrer no Senado. Se confirmado, esse cenário trará dificuldades para a Casa Branca aprovar seus projetos no Congresso nos próximos dois anos e tornará incerta a perspectiva de reeleição de Obama em 2012.

Como observou recentemente Obama, o risco de derrota dos democratas deve-se, basicamente, ao desinteresse dos eleitores do partido em votar. Ele argumentou que se todos os que compareceram às urnas em 2008 fizerem o mesmo na terça-feira o partido vencerá. Segundo a voluntária Roz Teller, a eleição de 2008 foi marcada por "puro entusiasmo" do eleitorado democrata de San Fernando. Frustrados com a economia estagnada e o desemprego de mais 14% na Califórnia, agora eles têm de ser convencidos a votar. "As pessoas tinham expectativas elevadas em relação a Obama. Pensavam que tudo ia melhorar em um passe de mágica", afirmou Roz.

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