Voluntários escoltam muçulmanos nos EUA

Todas as manhãs, Sonya Kaleel observa Hiba Al-Gizawi, de 15 anos, enquanto ela se mistura em meio ao fluxo de estudantes que se dirigem para o Colégio Balboa em São Francisco, Califórnia. Há apenas algumas semanas, as duas nunca haviam se encontrado. Mas agora, Kaleel leva Al-Gizawi de carro para a escola todos os dias e espera a menina entrar para ver se está segura atrás dos portões do prédio. Kaleel é uma das centenas de voluntários que surgiram nos Estados Unidos para acompanhar mulheres e crianças muçulmanas em seus afazeres diários, depois que uma onda de incidentes - provocados pelos atentados terroristas - deixaram muitas pessoas com medo de sair de casa. Privação - Desde o dia 13 de setembro, quando alguém cuspiu na sua mãe, Al-Gizawi tem relutado a tomar o ônibus para a escola. Ela teme que o lenço que usa na cabeça, como símbolo da sua fé islâmica e de modéstia, também vai fazer dela um alvo. "Costumávamos sair, eu e meus pais, íamos às compras, nos divertíamos, mas agora não mais", afirma Al-Gizawi. "Nunca se sabe o que vão fazer comigo." A iraquiana Al-Gizawi mora nos EUA há seis anos e Kaleel é uma consultora de marketing de 36 anos que foi criada como cristã na zona rural de Illinois. Elas representam uma das muitas diferentes duplas que têm surgido nos EUA depois dos atentados. Kaleel soube do caso de Al-Gizawi através de uma linha telefônica de emergência, estabelecida para denúncias de casos de crimes de ódio contra muçulmanos e árabe-americanos.

Agencia Estado,

04 Outubro 2001 | 13h50

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