Voluntários invadem redutos de Bush

Partidários do senador democrata partem para Estados republicanos para garantir votos que poderão ser decisivos

Patrícia Campos Mello, CHICAGO, O Estadao de S.Paulo

03 de novembro de 2008 | 00h00

Nas últimas 48 horas de campanha, o democrata Barack Obama está enviando seus exércitos de voluntários para Estados tradicionalmente republicanos, como Indiana, Missouri, Virgínia e Colorado, e para os chamados "swing states" (Estados em que a votação ainda está indefinida), como Ohio, Pensilvânia e Flórida. A campanha aproveita as grandes margens de Obama em Estados tradicionalmente democratas para consolidar sua estratégia de avançar no terreno conquistado por George W. Bush nas duas últimas eleições presidenciais. Ontem, no quartel-general dos voluntários em Chicago, dezenas de pessoas se preparavam para dirigir uma hora e meia até a cidade de Michigan, em Indiana - Estado que era confortavelmente republicano até a última eleição e agora está sendo disputado palmo a palmo por Obama e seu rival, John McCain."Quando comecei a fazer telefonemas pedindo votos para Obama em Indiana, muita gente desligava na minha cara. Mas depois de um tempo alguns começaram a escutar e eu fiquei muito animada", diz a professora Cydney Cleveland. "É inacreditável que estejamos fazendo campanha em Estados conservadores como Indiana e Missouri", opina sua amiga Alyssa Sorresso. As duas convocaram seus alunos do curso de teatro para bater de porta em porta em Indiana e garantir que os eleitores compareçam no dia da eleição. A aposentada Diane Gottlieb não fazia campanha para um candidato desde George McGovern, em 1972. Ontem, ela entrou em sua Mercedes com duas outras voluntárias e partiu para Indiana.BRIGA POR INGRESSOAs professoras Cydney e Alyssa estão entre os 65 mil democratas "de sorte" que conseguiram entradas para a grande festa que será realizada no parque Grant, em Chicago, caso o favoritismo do candidato democrata se confirme nas urnas. "Já estamos preparadas para a festa. Vamos levar muitos cobertores porque vai ser uma noite longa e pode fazer muito frio", diz Alyssa. Muita gente ficou na fila de espera por ingressos ou está tendo de comprar por sites como o Craig''s list ou o eBay. "Estão vendendo ingressos por US$ 1.500 no eBay - e, se eu tivesse dinheiro, compraria", diz o taxista Tom, pedindo para não ter o sobrenome publicado. O prefeito de Chicago, Richard Daley, chegou a convocar todos os eleitores de Obama a comparecerem ao parque no dia da eleição - mesmo aqueles que não têm ingressos. "Vai ser surpreendente, muita gente vai querer vir para comemorar. Eu espero que sejamos um milhão ou mais", disse.Mas o medo do tumulto fez a administração de Chicago mudar suas orientações. Autoridades afirmaram que terão de mandar pessoas de volta para casa se o parque estiver muito lotado e sugeriram que as pessoas sem ingresso acompanhem a festa de suas casas, pela televisão.Ontem, os arredores do parque já estavam fechados e cercados por forças de segurança oficiais. Na terça-feira, nenhum dos policiais de Chicago poderá tirar folga, e os bombeiros foram orientados a ir para casa com seu equipamento, para estarem preparados no caso de emergências. O clima é de final de Copa do Mundo. Alguns escritórios vão deixar seus funcionários saírem mais cedo.A cidade de Chicago tem um histórico de tumultos. O próprio parque Grant foi palco do choque entre pacifistas e a polícia local durante a convenção democrata de 1968. Por medo de atentados, a segurança será rigorosa - ninguém poderá entrar no Grant carregando bolsas, cadeiras, carrinhos de bebê ou bebidas alcoólicas.

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