Vôos para casamento de Menem estão lotados

Quem quiser viajar à província de La Rioja, encravada no sopé da Cordilheira dos Andes, coloque as costeletas de molho: não há mais vôos para essa remota região da Argentina. Mesmo que chegasse até ali em ônibus ou carro, não teria onde dormir. Todos os quartos de hotel estão reservados. O motivo: o casamento neste sábado do mais famoso e polêmico filho dessa província, o ex-presidente Carlos Menem.A noiva do septuagenário caudilho é uma ex-miss Universo, a chilena Cecilia Bolocco, de 36 anos. Os detalhes do casamento foram mantidos em segredo. Mas, extra-oficialmente, sabe-se que dos originais 3 mil convidados, a lista foi sendo drasticamente reduzida. Na semana passada especulava-se convidar 500 pessoas, mas sabe-se no momento que no sábado poderão comparecer menos de cem.Quebrando a tradição de grandes festas de arromba que caracterizaram os dez anos de governo Menem (1989-99), esta inesperada sobriedade "menemista" está sendo causada pelo impacto negativo que uma festa dessa magnitude poderia ter no pior momento econômico da História recente do país. Por esse motivo, ao contrário do que publicamente desejou a noiva - que a festa durasse "três dias e três noites" -, a comemoração será restrita somente ao sábado.No entanto, a capital provincial, também chamada La Rioja, e o vilarejo de Anillaco, onde será realizado o casamento, estará cheia de jornalistas e políticos que - por diferentes motivos - tentarão se aproximar dos noivos. Os habitantes de Anillaco aproveitam a rara ocasião para lucrar: estão alugando quartos de suas modestas casas por US$ 400 pelo fim de semana.ConvidadosEntre os convidados estarão os principais assessores e aliados de Menem, além de alguns amigos estrangeiros, como o ex-presidente chileno Eduardo Frei. O ex-parceiro de tênis de Menem, o ex-presidente dos EUA George Bush, não virá ao casório.Ainda não está definido como será o casamento religioso, já que os dois noivos, cada um por seu lado, são divorciados. Este delicado assunto foi a causa do afastamento do padre Edgar Constantino, anterior pároco da igreja de Anillaco, que disse que "El Turco", como é chamado Menem, e "la Chechu", como a ex-miss é chamada carinhosamente, teriam que conversar com ele sobre sua situação matrimonial. Constantino foi desterrado para uma província longe dali. Outro padre será convocado para abençoar o casal, já que não poderá casá-los.EsquivasOntem, durante uma inauguração de um centro de seu partido, o Justicialista (também conhecido como "Peronista"), Menem esquivou perguntas sobre seu casamento. Em Anillaco, as autoridades também evitam confirmar a data da cerimônia, e quando lhes perguntam o porquê de tantas obras apressadas de limpeza da cidade, além do conserto da iluminação urbana, afirmam que "são obras normais".Além disso, na cidades são vendidas fotos dos dois apaixonados, e também doces típicos com sua imagem na embalagem. No entanto, Verónica Bolocco, irmã de noiva, confirmou a data do casamento para este sábado. Além dela, o meio-irmão do ex-presidente, Amado Menem, confirmou o casamento para o sábado. E também comentou o que os Menem pensam sobre La Bolocco: "Uma mulher extraordinária, simples e sensata".Também existe expectativa sobre como reagirá a ex-esposa de Menem, a irascível Zulema Yoma, além de sua ciumenta filha, Zulemita, que - segundo amigos e parentes - ameaçou seu pai que se suicidaria, caso se casasse com a ex-miss.Menem e os conquistadoresO genealogista argentino Nerciso Binayán Carmona disse à Agência Estado, que a ex-miss Universo é descendente dos conquistadores espanhóis que desembarcaram há 500 anos na costa chilena. "Chechu" é a décima quarta geração de descendentes de Diego Gaete, 1549, irmão de Marina Ortiz de Gaete, esposa de Pedro de Valdívia, conquistador de Chile e fundador de Santiago."Além disso, a maioria dos presidentes chilenos vem dessa família Gaete, como o ex-ditador Augusto Pinochet, e os presidentes civis Eduardo Frei, Patricio Alwyn, e o atual presidente Ricardo Lagos". Desta forma, Menem, um filho de imigrantes sírios chegados à Argentina no começo deste século, passará a estar vinculado à parte da "aristocracia" sul-americana. Esta será a segunda vez neste século que um ex-presidente (ou mesmo um presidente) se casa com uma estrangeira na Argentina.

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