REUTERS/Jonathan Ernst
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Votação ameaça futuro do país dentro da Otan

O impacto da eleição sobre a Otan e outros órgãos de defesa ocidentais pode ser igualmente profundo

Griff Witte / W. Post, O Estado de S. Paulo

22 Abril 2017 | 05h00

Dos quatro candidatos com chances reais de vitória na eleição presidencial da França, três se opõem às sanções ocidentais contra a Rússia. Dois tirariam a França do comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ou talvez retirassem o país completamente da aliança atlântica.

Quando os eleitores franceses votarem no primeiro turno dessa imprevisível eleição presidencial, a questão da segurança ocidental não estará em votação. Mas a apuração pode se tornar mais um momento de convulsão na ordem de segurança internacional que prevalece há décadas e ainda se ressente da turbulência provocada pelo presidente americano, Donald Trump.

Na França, o debate tem se concentrado nas consequências econômicas e políticas de uma saída potencial do país da União Europeia ou do euro. O impacto da eleição sobre a Otan e outros órgãos de defesa ocidentais pode ser igualmente profundo.

“Seria catastrófico – a ruína de 65 anos de política externa e de segurança”, disse François Heisbourg, analista da Fundação de Pesquisa Estratégica.

A política de defesa e segurança da França não será a mesma e alguns candidatos propõem mudanças revolucionárias. A mais importante ocorreria se Marine Le Pen, da extrema direita, ou Jean-Luc Mélenchon, da extrema esquerda, vencerem a votação – perspectiva descartada como improvável, mas agora seriamente considerada.

Apesar de em posições totalmente opostas no espectro político, os dois candidatos são hostis à Otan. Mélenchon considera a aliança atlântica um anacronismo da Guerra Fria. Marine Le Pen também afirma que o tempo da Otan passou e a França deve pelo menos abandonar a estrutura de comando da organização. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

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