Jorge Bernal / AFP
Jorge Bernal / AFP

Votação é encerrada na Bolívia com tranquilidade e alta participação de eleitores

Pesquisas de boca de urna devem começar a ser divulgadas às 20h (21h em Brasília)

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2019 | 17h30
Atualizado 20 de outubro de 2019 | 18h56

LA PAZ - Os bolivianos foram neste domingo, 20, às urnas decidir se prolongam até 2025 o mandato de Evo Morales, no poder há quase 14 anos, ou optam por derrotar o primeiro presidente indígena de esquerda do país. As urnas foram encerradas às 16h (17h em Brasília) com tranquilidade e alta participação nos centros de votação, informou o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE). As pesquisas de boca de urna devem começar a ser divulgadas às 20h (21h em Brasília).

Pesquisas realizadas antes da votação apontavam um leve favoritismo de Evo sobre seu principal rival, o ex-presidente Carlos Mesa. Ao contrário das três últimas eleições, a partir de 2006, desta vez ele não tem uma vitória tranquila garantida no primeiro turno.

Evo apresentou suas conquistas sociais e econômicas durante a campanha, mas também foi afetado por escândalos de corrupção e acusações de uma guinada autoritária.

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Depois de votar em Chapare (Departamento de Cochabamba), o presidente expressou confiança e otimismo. “Acabo de votar e aproveito esta oportunidade para convocar o povo boliviano a participar nesta festa democrática”, disse.

Pesquisa da universidade estatal apontava 32,3% das intenções de voto para Evo e 27% para Mesa, cenário que aponta um segundo turno, algo que seria inédito para o presidente, que há mais tempo está no poder na América Latina.

Mesa é o único dos demais oito candidatos que pode derrotar o presidente. E parte da oposição defendia que os eleitores optassem por um “voto de castigo” contra Evo, que confiava um “voto seguro” de sua base.

Carlos Mesa se reuniu no sábado com observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) para expressar suas dúvidas sobre a transparência da votação, acusando o Tribunal Eleitoral de parcialidade.

Ele disse que a Bolívia tem “um partido que controla todos os órgãos do Estado, até mesmo o eleitoral” e “não tem entre seus princípios o respeito pelas regras da democracia”.

Além disso, afirmou, “temos um Tribunal Eleitoral que demonstrou um claro viés em relação à candidatura do MAS (partido do governo). Portanto, é muito provável que sejam feitas tentativas de afetar o resultado da votação, especialmente nas áreas rurais e em algumas cidades do interior”. 

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Ao votar, Mesa reiterou seus temores. “Não confio na transparência do processo, o Tribunal Supremo Eleitoral demonstrou que é um braço operacional do governo, nossa desconfiança é muito alta”, afirmou à imprensa depois depositar seu voto em um bairro da zona sul de La Paz.

A cientista política María Teresa Zegadam afirmou que “o poder substituiu as políticas em benefício de toda a população por outras que satisfazem apenas alguns setores” e denunciou a “perseguição aos líderes da oposição”. “Tudo isso cria um mal-estar cidadão e o sentimento de que a democracia está em perigo.”

A presidente do TSE, María Eugenia Choque, ressaltou que foram tomadas medidas para garantir a transparência do processo eleitoral.

SP concentra 96% do eleitorado boliviano no Brasil

Mais de 44 mil bolivianos foram convocados às urnas  nos 15 locais de votação espalhados por São Paulo, Estado que concentra 96% dos eleitores do país andino que vivem no Brasil. 

Além da capital, houve votação em outros três municípios paulistas: Guarulhos, Carapicuíba, Itaquaquecetuba e Bady Bassitt. Acre, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Rondônia também tiveram seções eleitorais.

Segundo dados do Órgão Eleitoral Plurinacional (OEP), 45.793 bolivianos foram convocados a participar do pleito no país - um aumento de 146% em relação às últimas eleições presidenciais, em 2014. Na cidade de São Paulo, 36 mil pessoas estavam aptas a votar nos 10 pontos de votação.

O cônsul da Bolívia em São Paulo, Jorge Ledezma, atribui o crescimento do eleitorado à maior relevância da comunidade boliviana no Estado. “Antes, as maiores colônias eram as japonesa e italiana. Agora, somos nós”, disse ele. Segundo Ledezma, 44 pessoas foram contratadas para atuar na conscientização dos bolivianos sobre a importância da eleição.

“Sempre que saímos da nossa pátria, nos queixamos de não poder exercer nossos direitos constitucionais de eleger nossas autoridades, e hoje temos essa oportunidade”, ressaltou. / AFP e REUTERS

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